A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) monitorará as atividades nucleares do Irã em suas instalações nucleares, afirmou o diretor-geral da agência, Rafael Grossi, nesta quarta-feira (24), durante uma coletiva de imprensa na usina nuclear de Fukushima Daiichi, no Japão.
Na terça-feira (23), os Estados Unidos e o Irã apresentaram versões conflitantes sobre a realização dessas inspeções.
Grossi reconheceu que as diferentes posições políticas são compreensíveis, mas enfatizou que o elemento central é o memorando de entendimento assinado pelos dois países.
"Ele [o memorando] afirma explicitamente, sem rodeios, que as atividades nucleares realizadas nas instalações nucleares serão monitoradas pela AIEA", declarou o chefe da agência aos jornalistas.
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O diretor acrescentou que, para cumprir o acordo, a equipe técnica deve realizar as verificações correspondentes, esclarecendo que o prazo exato não é crítico, embora tenha assegurado que "isso acontecerá".
Em entrevista à emissora japonesa NHK, Grossi observou que quanto antes as inspeções forem realizadas, melhor, visto que o acordo prevê um prazo de 60 dias.
Ele indicou que a prioridade é confirmar a localização do urânio altamente enriquecido e, embora a AIEA tenha uma ideia de onde o material possa estar, é essencial que Teerã forneça a localização exata.
Grossi acrescentou que algumas instalações de armazenamento foram atacadas e parcialmente destruídas, portanto, a agência pode precisar explorar maneiras de acessar o material.
Ele indicou ainda que a AIEA iniciará em breve um diálogo com o lado iraniano para definir as datas e outros detalhes das inspeções.
Posição dos EUA
Donald Trump declarou na terça, em sua plataforma Truth Social, que o Irã concordou "completamente" em se submeter a inspeções nucleares do mais alto nível por um período prolongado.
O presidente escreveu que a medida "garantirá a 'honestidade nuclear'" e alertou que, caso não fosse aceita, não haveria mais negociações.
Trump acrescentou que as negociações entre Washington e Teerã para chegar a um acordo sobre o fim das hostilidades "estão indo bem". O vice-presidente J.D. Vance chamou isso de "um marco significativo" e "o primeiro passo para a desnuclearização permanente ou o fim definitivo do programa de armas nucleares do Irã".
O enviado especial de Trump para o Oriente Médio, Steve Witkoff, havia dito a parlamentares na semana passada que o Irã convidaria a AIEA para começar a identificar material enriquecido, uma alegação que Teerã negou categoricamente.
Posição do Irã
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, esclareceu na terça que a delegação de seu país — que se reuniu recentemente com a delegação dos EUA na Suíça — não conversou com Grossi.
Baghaei descartou a existência de um cronograma para a agência monitorar as instalações nucleares que foram alvo de ataques dos EUA e de Israel. "Não nos reunimos com o diretor-geral da AIEA, nem existe qualquer programa para a agência inspecionar instalações nucleares [...]. Essencialmente, não há nenhum procedimento em vigor", afirmou ele durante uma coletiva de imprensa.
O Irã reiterou que seu programa nuclear se destina estritamente a fins civis e defende seu direito soberano de enriquecer urânio para fins pacíficos.
O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, foi enfático ao advertir que não cederá às exigências. "O que é indiscutível é que jamais renunciaremos ao nosso direito de enriquecer urânio, e o outro lado será forçado a aceitá-lo", concluiu o presidente em um simpósio recente.