O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, confirmou os contatos de Moscou com o gabinete do presidente do Conselho Europeu, António Costa, bem como com representantes do Reino Unido e da França.
"Houve contatos. O presidente [da França] Macron repreendeu publicamente António Costa porque sua equipe havia contatado representantes em Moscou duas vezes, dizendo que isso era inaceitável e que todos deveriam se reunir para decidir", explicou Lavrov.
Ele classificou as alegações de Macron como "hipócritas", observando que o próprio presidente "enviou representantes e eles foram recebidos".
Lavrov se referia a relatos que surgiram em fevereiro sobre uma visita a Moscou de um assessor do presidente francês.
"Assim como, sejamos honestos, também houve mensageiros de Londres", acrescentou Lavrov.
Em 19 de junho, foi revelado que Costa instruiu seu chefe de gabinete a estabelecer um canal diplomático com o Kremlin, contatando um assessor do presidente russo.
A iniciativa foi apoiada pela Bélgica, Eslovênia, Áustria, Eslováquia e Bulgária. No entanto, Polônia, os países bálticos e os países nórdicos não a viram com bons olhos.
"Se a Europa desenvolver algo construtivo, estaremos prontos para ouvir"
O ministro das Relações Exteriores russo reafirmou que Moscou estaria disposta a dialogar com representantes da UE se o bloco adotasse uma postura construtiva. "Sabemos como resolveremos nossos problemas", declarou.
"Se a Europa de repente desenvolver algo verdadeiramente construtivo — afinal, novos líderes estão chegando ao poder em alguns países — provavelmente estaremos dispostos a ouvir, e quando isso acontecer, decidiremos se é do nosso interesse ou não", continuou.
Ele enfatizou que a Rússia não pode ficar refém das promessas de líderes europeus: "Não temos mais o direito de depender — em qualquer aspecto de nossa política externa, no que diz respeito à conquista de metas de desenvolvimento e ao fortalecimento da posição internacional da Rússia — de promessas ou expectativas da Europa", concluiu.