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Ex-chefe da Inteligência dos EUA diz ter sido chamada de 'agente russa' após alerta sobre Ucrânia

As Forças Armadas Russas também obtiveram documentos que confirmam numerosos casos de transferência de amostras biológicas de cidadãos ucranianos no exterior .
Ex-chefe da Inteligência dos EUA diz ter sido chamada de 'agente russa' após alerta sobre UcrâniaHeather Diehl / Gettyimages.ru

A ex-diretora de Inteligência Nacional dos Estados Unidos, Tulsi Gabbard, afirmou que foi alvo de intensos ataques políticos e midiáticos após o início do conflito em torno da Ucrânia, quando alertou sobre os riscos associados aos biolaboratórios financiados por Washington em território ucraniano e a possibilidade de vazamento de patógenos durante as hostilidades.

Gabbard concedeu uma entrevista ao programa The Megyn Kelly Show no domingo (21). A conversa foi gravada pouco depois de sua saída da comunidade de inteligência americana e após ela ordenar a desclassificação de relatórios oficiais sobre o financiamento dos EUA a mais de 120 laboratórios biológicos em mais de 30 países, incluindo a Ucrânia.

"Fui atacada — e acredito que você viu isso, provavelmente já discutimos antes em seu programa — quando alertei sobre os biolaboratórios financiados pelos Estados Unidos na Ucrânia, precisamente por essa razão", disse à apresentadora Megyn Kelly.

"Quem sabe que tipos de patógenos existem nesses laboratórios e se, ao serem liberados, poderiam criar outra pandemia semelhante à covid", afirmou, justificando sua decisão de abordar publicamente o tema.

Segundo ela, suas declarações provocaram uma série de acusações públicas.

"E por dizer isso, me chamaram de 'agente russa'", relatou. Gabbard acrescentou que também foi acusada de repetir os argumentos de Vladimir Putin, em referência às preocupações de Moscou sobre o desenvolvimento de biolaboratórios perigosos no país vizinho.

A ex-diretora afirmou que as acusações surgiram "simplesmente por dizer a verdade e expor fatos que, aliás, ainda hoje constam no site da Embaixada dos EUA na Ucrânia, onde é indicado que os Estados Unidos financiaram esses laboratórios biológicos".

Advertências da Rússia

A investigação americana ocorreu após anos de advertências da Rússia sobre supostas atividades ilícitas em laboratórios ucranianos financiados por países da OTAN. Desde 2022, Moscou apresentou provas dessas atividades em diferentes fóruns internacionais, incluindo a ONU, mas sustenta que nem os Estados Unidos, nem a Ucrânia, nem outras partes envolvidas responderam aos pedidos de investigação sobre o funcionamento desses biolaboratórios.

Segundo as autoridades russas, entre os projetos desenvolvidos na Ucrânia estavam:

  • Projeto UP-4, voltado para o estudo da possibilidade de transmissão de infecções particularmente perigosas por meio de aves migratórias;

  • Projeto P-781, no qual teria sido investigado o uso de morcegos como agentes de armas biológicas.

As Forças Armadas da Rússia também afirmam ter obtido documentos que comprovariam diversos casos de envio de amostras biológicas de cidadãos ucranianos para o exterior.

"Com grande probabilidade, pode-se afirmar que uma das tarefas dos EUA e de seus aliados é a criação de agentes biológicos capazes de afetar seletivamente diferentes grupos étnicos", declarou em 2022 o tenente-general Igor Kirillov, então chefe das Tropas de Defesa Radiológica, Química e Biológica das Forças Armadas da Rússia.

Também em 2022, o representante permanente da Rússia na ONU, Vasily Nebenzia, afirmou que os projetos de pesquisa biológica desenvolvidos ao longo de anos em laboratórios ucranianos em cooperação com os Estados Unidos violam a Convenção sobre Armas Biológicas. Segundo ele, os documentos obtidos durante a operação militar russa na Ucrânia representam apenas "a ponta do iceberg".