
Ministério da Defesa russo divulga novos dados sobre financiamento pelos EUA de armas biológicas na Ucrânia

As autoridades americanas ocultaram intencionalmente informações sobre biolaboratórios no exterior, denunciou nesta sexta-feira (19) Alexey Rtishchev, chefe das Tropas de Proteção Radiológica, Química e Biológica das Forças Armadas da Rússia.

"A Federação Russa levantou repetidamente a questão da implementação de programas militares-biológicos pela Ucrânia e países ocidentais em violação à Convenção sobre Armas Biológicas e Toxínicas em fóruns internacionais relevantes, incluindo o Conselho de Segurança e a Assembleia Geral da ONU. [...] Até o último momento, a única resposta que recebemos foram evasivas e acusações de desinformação", afirmou ele em um comunicado à imprensa divulgado pelo Ministério da Defesa da Rússia.
Antes, a diretora de Inteligência Nacional dos EUA, Tulsi Gabbard, divulgou dados de inteligência "inéditos" que revelavam "novas evidências" do financiamento, pelo governo anterior da Casa Branca, de mais de 120 biolaboratórios em cerca de 30 países.
As revelações mais recentes se concentraram na Ucrânia, onde o governo dos EUA financiou mais de 40 deles.
O documento americano inclui um mapa de biolaboratórios na Ucrânia, com instalações nas cidades de Kharkov, Dnepropetrovsk, Lvov, Vinnitsa, Ternopol, Chernigov e Odessa, explicou Rtishchev.
Esses laboratórios eram usados para estudar os agentes causadores da peste, do antrax siberiano, da tularemia, da febre de Marburg e do Ebola.
Segundo um comunicado do Ministério da Defesa russo, Moscou obteve novos documentos durante a operação militar especial na Ucrânia, confirmando o estudo de infecções perigosas nesses centros.
O ministério também destacou o projeto militar-biológico Yu-Pi, que não foi mencionado no comunicado dos EUA. Esse programa estudou riquétsias e outras doenças transmitidas por artrópodes. Enquanto isso, o projeto Yu-Pi-2 avaliou a disseminação transfronteiriça e a migração de vetores da tularemia e do antraz.
A Rússia possui dados que indicam a realização de uma dúzia de programas semelhantes, estudando "infecções particularmente perigosas de grande importância econômica", como a febre hemorrágica da Crimeia-Congo, a leptospirose, a encefalite transmitida por carrapatos e a peste suína africana.
"Consideramos os documentos publicados como mais uma prova do descumprimento, pelo regime de Kiev, de suas obrigações perante a Convenção, e exigiremos esclarecimentos sobre a situação nos fóruns internacionais competentes", enfatizou Rtishchev.
Alertas da Rússia
A investigação dos EUA ocorreu após anos de alertas da Rússia sobre atividades ilícitas em laboratórios ucranianos financiados por países da OTAN. Desde 2022, Moscou apresentou provas dessa atividade em diversas plataformas internacionais, incluindo a ONU, mas nem os EUA, nem a Ucrânia, nem outras partes envolvidas responderam aos apelos russos para investigar o funcionamento desses centros.
A Rússia tentou chamar a atenção da comunidade internacional para o problema, alertando para a existência, na Ucrânia, dos seguintes projetos:
Projeto UP-4, cujo objetivo era investigar a possibilidade de transmissão de infecções particularmente perigosas por meio de aves migratórias.
Projeto P-781, no qual foi estudado o uso de morcegos como agentes de armas biológicas.
As Forças Armadas da Rússia também obtiveram documentos que, segundo Moscou, confirmam diversos casos de envio ao exterior de amostras biológicas de cidadãos ucranianos.
"Com grande probabilidade, pode-se afirmar que uma das tarefas dos EUA e de seus aliados é a criação de bioagentes capazes de afetar seletivamente diferentes grupos étnicos", declarou o tenente-general Igor Kirillov, ex-chefe das Tropas de Defesa Radiológica, Química e Biológica das Forças Armadas da Rússia.
Além disso, o representante permanente da Rússia na ONU, Vassily Nebenzia, destacou ainda em 2022 que os projetos de pesquisa biológica desenvolvidos durante anos em diversos laboratórios ucranianos em conjunto com os Estados Unidos violam a Convenção sobre Armas Biológicas e que os documentos obtidos durante a operação militar russa na Ucrânia representam apenas a ponta do iceberg.

