Notícias

Rússia: OTAN continua seu programa de criação de armas biológicas, inclusive na América Latina

O programa também está em andamento na região da Ásia-Pacífico, na África e em alguns países do espaço pós-soviético, informou o FSB russo.
Rússia: OTAN continua seu programa de criação de armas biológicas, inclusive na América LatinaGettyimages.ru / andrey shalari

A OTAN continua com seu programa de desenvolvimento de armas biológicas de ação seletiva na região da Ásia-Pacífico, África e América Latina, denunciou nesta terça-feira (26) o diretor do Serviço Federal de Segurança (FSB) da Rússia, Alexander Bortnikov.

Os biolaboratórios também operam em países da Comunidade dos Estados Independentes, no espaço pós-soviético, acrescentou.

Bortnikov lembrou que as ameaças na esfera biológica, decorrentes desse tipo de atividade, incluem a possível propagação de doenças infecciosas perigosas e alertou que os respectivos testes e incidentes relacionados a vazamentos de patógenos são atribuídos a causas naturais.

"Nossas Forças Armadas reuniram inúmeras provas dessa atividade durante a operação militar especial na Ucrânia", afirmou Bortnikov, ressaltando que é evidente o perigo de um impacto comuflado, seletivo e programado das armas biológicas.

"Estou certo de que os presentes aqui compreendem que as fontes, a magnitude e o vetor de seu possível uso serão determinados muito além das fronteiras da Comunidade [dos Estados Independentes]. Acima de tudo, levando em conta o fato de que o desenvolvimento das tecnologias de inteligência artificial aumenta os riscos de atos de bioterrorismo", afirmou.

Segundo o diretor do FSB, "essa ameaça é extremamente grave".

Rede de laboratórios financiados pelos EUA

Os Estados Unidos reconheceram a existência de mais de 120 biolaboratórios no exterior financiados com dinheiro dos contribuintes americanos durante décadas, quando a Diretora de Inteligência Nacional dos EUA, Tulsi Gabbard, anunciou a respectiva investigação.

Destes, 40 estão na Ucrânia e podem estar "em risco de serem comprometidos" devido ao conflito armado em curso com a Rússia, de acordo com estimativas do gabinete de Gabbard.

O ponto de partida desta investigação, conforme explicou a diretora da inteligência americana em declarações ao New York Post, não é uma acusação genérica, mas sim uma revisão com objetivos específicos:

  • Identificar onde estão localizados os laboratórios financiados com verbas dos EUA.
  • Determinar quais patógenos contêm.
  • Esclarecer que tipo de 'pesquisa' está sendo realizado sobre eles.
  • Acabar com a perigosa pesquisa que ameaça a saúde e o bem-estar do povo americano e do mundo.

Qual seria o alcance da rede de laboratórios?

Segundo Gabbard, mais de 120 laboratórios financiados pelos EUA estão localizados em mais de 30 países.

Vários deles receberam recursos por meio de um programa do Departamento de Defesa dos EUA relacionado ao período pós-Guerra Fria e voltado para a eliminação de armas de destruição em massa ou para a redução desse tipo de risco.

Caso da Ucrânia

A presença de 40 dos laboratórios em questão na Ucrânia representa um problema singular para o caso, sobretudo porque o governo dos Estados Unidos negou publicamente qualquer relação com instalações biológicas naquele país.

O governo de Joe Biden negou a existência de "laboratórios químicos ou biológicos de propriedade ou operados pelos EUA na Ucrânia", classificando as alegações em contrário como propaganda chinesa e russa.

A investigação norte-americana ocorre após anos de alertas da Rússia sobre atividades ilícitas em laboratórios ucranianos financiados por países da OTAN. Desde 2022, Moscou tem apresentado provas dessas atividades em diversas plataformas internacionais, incluindo a ONU, mas nem os EUA, nem a Ucrânia, nem outras partes envolvidas reagiram aos apelos russos para que se investigasse o funcionamento desses biolaboratórios.