
Alta pressão: estudo mostra por que os jogadores perdem pênaltis

A pressão psicológica pode transformar um fundamento simples em um dos maiores desafios do esporte. Jogadores experientes acabam desperdiçando oportunidades de marcar gols decisivos em pênaltis, considerado um momento de alta tensão.
Exemplos não faltam, como o caso do italiano Roberto Baggio, na final da Copa do Mundo de 1994, quando perdeu um pênalti que garantiu o tetracampeonato ao Brasil.
Outro exemplo, mais recente, foi a derrota da Alemanha nesta segunda-feira (29). Diante dos paraguaios, Kai Havertz, Jonathan Tah e Nick Woltemade perderam pênaltis, o que resultou na eliminação precoce da potente seleção tetracampeã.
E um estudo publicado no Journal of Sports Sciences, da editora Taylor & Francis, ajuda a entender essa situação.

Ansiedade cognitiva
Os pesquisadores submeteram 20 atletas a cobranças de pênalti em dois cenários. Um de baixa pressão e outro que simulava as condições de uma decisão importante, com diferentes fatores estressores para reproduzir o ambiente de uma disputa real.
Antes das cobranças, os jogadores responderam escalas de ansiedade, enquanto equipamentos registravam frequência cardíaca e respiratória.
Os resultados mostraram que, sob alta pressão, os jogadores apresentaram aumento significativo da ansiedade cognitiva, relacionada a pensamentos negativos e preocupação com o resultado, e da frequência respiratória. Além disso, os chutes se tornaram menos precisos, com maior dispersão em relação ao alvo.
O fenômeno 'engasgo sob pressão'
Segundo os autores, o principal mecanismo identificado foi a distração. Em vez de concentrar toda a atenção na execução do movimento, os atletas passaram a dividir o foco entre a cobrança e estímulos externos ou internos, como o medo de errar, a reação da torcida ou as consequências do resultado.
Na psicologia do esporte, esse fenômeno é conhecido como "choking under pressure", ou "engasgo sob pressão".
Trata-se de uma queda de desempenho causada pelo excesso de pressão em momentos decisivos. Nessas situações, a preocupação ocupa parte da capacidade da memória de trabalho, reduzindo a eficiência na execução de uma habilidade que normalmente é automática.
Os dados aparecem em intensidades diferentes em times distintos. Entre os anos de 1982 e 2006, a Alemanha converteu cerca de 85% das cobranças em disputas importantes, enquanto a Inglaterra registrou aproveitamento de apenas 14% entre 1996 e 2012, diferença frequentemente associada ao preparo psicológico para esse tipo de situação.
