
Prêmio Nobel critica teorias 'estúpidas' sobre IA

O analista e ganhador do Prêmio Nobel de Economia Daron Acemoglu considera que a maior parte do debate atual sobre inteligência artificial (IA) é pouco séria, superficial e de escasso valor para compreender suas verdadeiras consequências no cenário econômico mundial. As declarações foram feitas em entrevista publicada neste domingo (21) na revista Fortune.
"Nos deparamos com todo tipo de discurso sobre se o capitalismo está se transformando em tecnofeudalismo ou se a IA automatizará todos os empregos existentes. As pessoas dizem coisas estúpidas. Não consigo acreditar nisso", afirmou.

Na opinião dele, apenas 20% do que se diz sobre essa tecnologia tem valor intelectual, enquanto os 80% restantes são considerados especulativos ou fictícios.
"O sucesso da democracia liberal baseou-se em ideias social-democratas e de centro-esquerda, com governos que desempenharam um papel protagonista. Esse espaço não pode ser preenchido com ideias absurdas nem com um desconhecimento total do que a IA realmente faz, quais são suas capacidades e suas implicações", argumentou o especialista.
Acemoglu explicou, com base em dados, que a IA não revolucionará o desempenho econômico como muitos prometem. Ele calcula que ela gerará apenas um aumento de 0,55% na produtividade total durante a próxima década e que apenas 5% das tarefas serão automatizadas de forma rentável, o que se traduziria em um modesto aumento do PIB entre 1% e 1,5%.
Riscos reais
O economista rejeita que se ignorem os riscos reais da IA e insta que o debate se concentre na substituição de trabalhadores e na desigualdade que essa tecnologia acarreta. Para Acemoglu, é necessário abordar a questão dos salários dignos e de regras globais que permitam que a inteligência artificial beneficie a sociedade, e não apenas algumas poucas empresas, protegendo assim a paz social e a estabilidade político-econômica em nível mundial.
