Após 50 dias de bloqueios que paralisaram o país, o presidente boliviano Rodrigo Paz decretou estado de exceção em todo território nacional neste sábado (20).
A medida, que entra em vigor imediatamente, amplia os poderes governamentais para mobilizar as Forças Armadas e desobstruir as rodovias estratégicas tomadas por manifestantes.
Paz enfatizou que a decisão "não pretende eliminar a normalidade, mas restaurá-la", assegurando que o objetivo é devolver a liberdade à população, e não restringi-la.
"Os bolivianos não podem continuar sendo mantidos reféns por bloqueios que os impedem de trabalhar, estudar, receber atendimento médico, obter suprimentos e sustentar suas famílias", afirmou o presidente.
Os protestos, liderados por sindicatos e organizações rurais, têm desencadeado uma situação de severo desabastecimento nas principais cidades bolivianas. Embora a Central Operária Boliviana tenha firmado acordo com o governo e suspendido as mobilizações, grupos como a Federação Camponesa de La Paz Túpac Katari seguem mantendo as mobilizações.
Em pronunciamento à nação após o anúncio, Paz defendeu que esgotou todas as possibilidades de diálogo antes de recorrer à medida excepcional, acusando setores infiltrados de transformarem reivindicações legítimas em estratégia de desestabilização democrática.
O presidente advertiu que "aqueles que persistirem em bloquear, destruir ou desafiar a ordem constitucional enfrentarão as consequências legais", reiterando, contudo, que as portas do governo permanecem abertas para quem deseja negociar de boa-fé.
A legislação boliviana estabelece que o Congresso deve ser notificado em 24 horas e tem prazo de 72 horas para aprovar ou rejeitar o decreto presidencial.