Uma operação do Ministério Público do Rio de Janeiro deflagrada na quinta-feira (18) lançou luz sobre a presença da facção Terceiro Comando Puro (TCP) nas estruturas da Assembleia Legislativa fluminense (ALERJ), divulgou nesta sexta-feira (19) o jornal O Globo.
O deputado estadual Val Ceasa (PRD) e o ex-vereador Ulisses Marins (União) foram detidos sob acusação de articularem estratégias para proteger interesses da facção criminosa, aprofundando a janela para as ligações espúrias dos parlamentares do Rio já aberta pelo caso do ex-presidente da Assembleia, Rodrigo Bacellar, e do deputado TH Joias com o Comando Vermelho (CV).
Representando interesses
A recente operação revelou tentativas de barrar a demolição de uma propriedade pertencente a Álvaro Malaquias Santa Rosa, conhecido como Peixão, uma das principais lideranças do TCP. O imóvel, situado em Parada de Lucas, no Complexo de Israel, funcionava como área de lazer para traficantes, ostentando lago artificial com peixes, coqueiros e bangalô.
Segundo investigações, Ceasa e Marins procuraram o 16º Batalhão da Polícia Militar e a Secretaria Municipal de Ordem Pública buscando detalhes sobre operações planejadas contra a propriedade irregular. As negociações para demolição corriam sigilosamente entre a Polícia Militar, Prefeitura e o Ministério Público do Rio desde novembro de 2023.
A destruição ocorreu apenas em março de 2025, embora pudesse ter acontecido quinze meses antes, não fossem interferências políticas e vazamento de informações sigilosas.
Associações ilícitas
O episódio agrava crise na Alerj, já abalada por prisões anteriores de parlamentares ligados a facções e esquemas fraudulentos. O procurador-geral de Justiça, Antonio José Campos Moreira, destacou que o inquérito desvenda como o TCP penetrou nas "vísceras" do Legislativo estadual.
O ex-vereador Ulisses Marins também é investigado por supostamente esconder armamentos e drogas da facção em seu comitê eleitoral, e teria apresentado áudio, atribuído a Peixão, se defendendo de acusações sobre proibição de igrejas na região.
Já o deputado Val Ceasa responde ainda por permitir cobrança de taxas ilegais por criminosos na Ceasa de Irajá. Adicionalmente, movimentações financeiras superiores a R$ 13 milhões em negócios imobiliários contrastam com valores declarados ao Tribunal Superior Eleitoral em relação a seu patrimônio.
Durante operação policial, agentes encontraram faixas no resort de Peixão anunciando um projeto social inexistente, vinculando nomes dos investigados. Aproximadamente R$ 320 mil em dinheiro foram apreendidos nas residências de Ceasa.
O deputado negou irregularidades, alegando perseguição política.