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Policial brasileiro acusado de auxiliar traficante internacional é preso nos EUA

Luciano Pinheiro, conhecido como "Bonitão", é suspeito de atuar para atrasar extradição de um cidadao de Curaçao condenado por homicídio na Holanda e investigado por tráfico de tráfico de drogas.
Policial brasileiro acusado de auxiliar traficante internacional é preso nos EUAReprodução.

O policial penal Luciano de Lima Fagundes Pinheiro, conhecido como "Bonitão", foi preso nesta sexta-feira (24) nos Estados Unidos, informou o portal g1. Foragido da Operação Anomalia, ele deve passar por audiência de custódia na Justiça americana, que vai avaliar medidas relacionadas à deportação para o Brasil.

A prisão foi realizada por agentes da Drug Enforcement Administration (DEA), órgão do Departamento de Justiça dos Estados Unidos, após troca de informações e cooperação com a Polícia Federal no Rio de Janeiro.

Segundo as investigações, Luciano era procurado desde março e tinha o nome incluído na Difusão Vermelha da Interpol. Ele é suspeito de atuar como facilitador político e operacional em uma tentativa de atrasar a extradição de um traficante internacional de drogas.

A Operação Anomalia integra a Força-Tarefa Missão Redentor II e foi autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). O objetivo é investigar um núcleo suspeito de negociar vantagens indevidas e vender influência para favorecer interesses de um traficante internacional.

De acordo com a Polícia Federal, o grupo tentou interceder para impedir a extradição de Gerel Lusiano Palm, cidadão de Curaçao condenado por homicídio na Holanda e investigado pela DEA por tráfico internacional de drogas. A investigação aponta que a estratégia incluía buscar asilo para o investigado no Brasil.

Interceptações telefônicas autorizadas pela Justiça indicam que Luciano teria mantido contato com o chamado "homem de Brasília" e recebido R$ 15 mil adiantados, com promessa de pagamento total de R$ 150 mil caso o processo de extradição fosse cancelado.

Na primeira fase da operação, deflagrada em 9 de março por decisão do ministro Alexandre de Moraes, quatro mandados de prisão foram expedidos. Foram presos o delegado federal Fabrizio Romano, o ex-secretário de Esportes Alexandre Carracena e a advogada Patrícia Falcão.

Trajetória e atuação pública

Luciano Pinheiro integra o quadro da Secretaria de Administração Penitenciária do Rio de Janeiro (Seap) e já esteve cedido a diferentes órgãos da administração pública estadual e federal. Ele também atuou como segurança de jogadores de futebol brasileiros que atuaram na Rússia no início da década de 2010.

Em 2021, foi alvo de apuração interna da Seap após a entrada de visitantes no presídio durante o período de quarentena do empresário Glaidson Acácio. Na ocasião, ele negou ter realizado a visita.

Sem pendências judiciais naquele momento, foi nomeado na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro durante a presidência de André Ceciliano (PT) e posteriormente cedido ao gabinete do deputado federal Dr. Luizinho (PP), em Brasília, onde permaneceu até fevereiro de 2025.

A assessoria de Ceciliano informou que a indicação para o cargo partiu do deputado André Lazaroni e declarou que o ex-presidente da Alerj não se reuniu com o policial penal em Brasília, acrescentando que ele "pode ter tentado vender um prestígio que não tinha".

Gerel Lusiano Palm foi preso pela Interpol no Rio de Janeiro em 2021 e permanece no sistema penitenciário fluminense desde então, sem ter sido extraditado.