
Israel cortará contato com chefe da diplomacia da UE após comparação com apartheid

Israel irá cortar "todo contato" com a alta representante para Assuntos Exteriores da União Europeia (UE), Kaja Kallas, após supostas declarações comparando a situação atual do país hebreu à África do Sul durante o regime do apartheid.
A decisão foi anunciada pelo ministro das Relações Exteriores israelense, Gideon Sa'ar, nesta quinta-feira (18). Segundo reportagem recente citada pelo chanceler, a chefe da diplomacia da UE teria feito a comparação durante encontros de alto nível na Cidade do México.

Sa'ar acusou Kallas de "agir de forma obsessiva e com flagrante injustiça". "Como ministro das Relações Exteriores do Estado de Israel, não tenho outra escolha a não ser romper todo contato com a Sra. Kallas até que ela se retrate da calúnia de sangue que dirigiu ao único Estado judeu do mundo, que também é a única democracia no Oriente Médio", escreveu na rede social X.
Kallas responde
A chefe da diplomacia europeia reagiu às declarações. Ao tentar amenizar a situação, Kallas declarou que "a UE está sempre comprometida com uma relação construtiva com Israel" bem como com "o diálogo e o engajamento". Ao mesmo tempo, ela reafirmou o compromisso do bloco com uma solução de dois Estados e condenou os assentamentos ilegais de Israel.
Sa'ar, por sua vez, reiterou sua demanda por um comentário explícito de Kallas sobre o episódio envolvendo a comparação com o apartheid.
"Com todo o respeito, mesmo em suas declarações aqui você se abstém de negar ou condenar o que lhe foi atribuído e publicado publicamente", respondeu o ministro israelense. "Se você realmente fez essas declarações vis e difamatórias, assuma a responsabilidade por elas. Se não as fez, negue", acrescentou.
- As relações entre o bloco europeu e o governo israelense vêm se deteriorando constantemente nos últimos anos devido à guerra em Gaza, à aceleração da construção de assentamentos ilegais e à invasão do Líbano. Há anos, a UE vem sendo acusada de aplicar um padrão duplo por não ter processado Israel por possível genocídio, ao mesmo tempo em que impôs 21 rodadas de sanções contra a Rússia.
