Salas de tortura, estupros por cães e abuso infantil: Ritual de gangues muçulmanas choca Reino Unido

Uma investigação independente revelou que forças policiais e serviços sociais falharam na proteção das vítimas e permitiram a continuidade dos abusos, que fizeram pelo menos 250 mil vítimas menores de idade em todo o país.

Um relatório de 218 páginas apresentado, na terça-feira (16) pelo deputado independente do Parlamento britânico Rupert Lowe afirma que pelo menos 250 mil menores foram vítimas de exploração sexual organizada, tráfico, tortura e homicídios no Reino Unido.

O documento responsabiliza, em sua maioria, grupos compostos por indivíduos de origem paquistanesa e de outros ambientes muçulmanos e acusa forças policiais e serviços sociais de ignorarem denúncias e falharem na proteção das vítimas.

Segundo a investigação independente, os mesmos crimes ocorreram em pelo menos 149 distritos, o equivalente a cerca de 40% de todos os distritos do Reino Unido. O relatório afirma que entre 87% e 95% dos autores de abusos sexuais contra menores identificados eram predominantemente de fé muçulmana.

O texto sustenta que "os fatores demográficos e culturais são claros" e afirma que autores de origem paquistanesa e de outros contextos muçulmanos agiam sob "um código de clã baseado na honra e na vergonha", tratando meninas não muçulmanas, especialmente brancas e de classe trabalhadora, como alvos para exploração sexual.

Relatos de vítimas

A investigação reúne depoimentos de sobreviventes e familiares sobre um padrão de aliciamento e abuso. Segundo o documento, meninas a partir de 11 anos eram abordadas por jovens muçulmanos que conquistavam sua confiança e, posteriormente, forneciam álcool, drogas e cigarros.

Segundo o relatório, os depoimentos e evidências reunidos descrevem episódios de extrema violência contra as vítimas. O documento relata que um bebê teve cigarros apagados sobre o corpo enquanto a mãe era obrigada a assistir e, em seguida, foi morto.

A investigação também menciona casos de meninas queimadas vivas, enviadas para "salas vermelhas" destinadas à tortura, com algumas delas sendo assassinadas e parte dos crimes transmitida ao vivo. Entre os relatos, consta ainda o estupro de uma garota por um cachorro enquanto homens apostavam sobre a forma como o ataque ocorreria, além de abortos forçados realizados com agulhas de tricô.

Violência extrema

O relatório afirma ainda que as vítimas eram submetidas a estupros com garrafas de vidro, chaves, tacos de beisebol e outros objetos, além de espancamentos, estrangulamentos, afogamentos, sufocamentos, chicotadas e outras formas de tortura. Segundo o documento, uma menina de aproximadamente cinco ou seis anos foi mantida amarrada e outras chegaram a ser trancadas em gaiolas para cães.

A investigação cita um agressor identificado como Muhammad, acusado de marcar uma vítima com a letra "M" como sinal de posse. O texto também relata ameaças de esquartejamento e de alimentar porcos com os restos das vítimas, além de episódios em que os agressores zombavam das meninas por usarem cruzes, afirmando que "sua fé cristã não lhes oferecia nenhuma proteção" e que "seu Deus as havia abandonado".

As vítimas, de acordo com o relatório, eram levadas para casas, apartamentos, restaurantes e hotéis, onde sofriam estupros repetidos, torturas e eram gravadas para fins de chantagem.

O documento também relata casos de tráfico entre cidades e afirma que algumas menores foram levadas ao Oriente Médio, onde foram submetidas a casamentos islâmicos.

Críticas às autoridades

O relatório acusa instituições públicas de falhas graves no tratamento dos casos.

"Todas e cada uma de nossas instituições falharam de maneira catastrófica", afirma o texto.

Segundo o documento, "as forças policiais ignoraram denúncias reiteradas, criminalizaram as vítimas em vez dos autores, destruíram provas e permitiram que estupradores conhecidos permanecessem em liberdade sob fiança".

O relatório também acusa serviços sociais de fecharem casos apesar de indícios de exploração e de agirem contra denunciantes.

Ainda de acordo com a investigação, "as evidências claras de abusos organizados por gangues paquistanesas, entre outros grupos étnicos majoritariamente muçulmanos, foram ignoradas porque enfrentá-las implicava o risco de acusações de racismo".

Em outubro de 2025, a Polícia Metropolitana anunciou a revisão de 9 mil casos de exploração sexual infantil. Já a Agência Nacional de Combate ao Crime lançou a Operação Beaconport para examinar milhares de outros processos em todo o país.