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'Não consigo respirar': O erro policial com jovem agonizando que incendiou a Inglaterra

Estudante Henry Nowak, de 18 anos, foi algemado enquanto sangrava até a morte após ter sido atacado com uma faca de 21 centímetros. Imagens das câmeras corporais dos agentes revelaram que o assassino mentiu ser vítima de racismo e a polícia acreditou, fato que gerou protestos violentos no país.
'Não consigo respirar': O erro policial com jovem agonizando que incendiou a InglaterraSouthampton Police/Reprodução/Redes sociais

A cidade de Southampton, no sul da Inglaterra, tornou-se palco de protestos em massa na terça-feira (2) após a divulgação de vídeos policiais que mostram os últimos momentos do estudante Henry Nowak, de 18 anos. Três pessoas foram indiciadas nesta sexta-feira (5) por participação "violenta" nos atos, segundo o The Guardian.

Esfaqueado após uma saída noturna em dezembro de 2025, o jovem foi algemado pelos agentes de segurança enquanto agonizava após ser esfaqueado, repetindo diversas vezes a frase: "Eu não consigo respirar".

A indignação com a postura da polícia, que acreditou na versão do assassino em vez de socorrer a vítima, desencadeou prisões por desordem violenta, investigações sobre a conduta do Estado e uma crise política.

Durante os atos, mais de mil manifestantes marcharam pelo centro da cidade e atacaram uma barreira policial com pedras, garrafas e lixeiras.

O grupo gritava "eu não consigo respirar", frase que, em um intervalo de seis anos, deixou de ser o principal símbolo do movimento Black Lives Matter para ser apropriada nestes protestos, os quais assumiram um caráter literal de que "vidas brancas importam".

A multidão também agitou bandeiras do Reino Unido e da Inglaterra, entoando cânticos contra os agentes de segurança, como "escória de dois pesos e duas medidas" e "vergonha de vocês".

Até o momento, três pessoas, com idades entre 18 e 24 anos, foram acusadas formalmente pela polícia de Hampshire por desordem violenta.

Abordagem da polícia

O assassinato de Nowak ocorreu em dezembro, cometido por Vickrum Digwa, de 23 anos. Treinado no uso de armas desde cedo, Digwa utilizou uma faca cerimonial com uma lâmina de 21 centímetros para desferir golpes no estudante, causando um ferimento letal no peito.

Em seguida, o agressor filmou a vítima enquanto ela tentava fugir. Digwa foi condenado à prisão perpétua, com pena mínima de 21 anos.

Quando a polícia chegou à cena do crime, Digwa mentiu. Ele alegou ser a vítima e acusou Nowak de proferir insultos racistas.

As imagens corporais, exibidas durante o julgamento, mostram que os agentes aceitaram a acusação do agressor. Ignorando os apelos de Nowak de que havia sido esfaqueado e não conseguia respirar, a polícia o algemou.

No vídeo, um policial questiona: "Você foi esfaqueado onde?", e logo acrescenta: "Não acho que você foi, amigo". Momentos depois, o estudante perdeu a consciência e morreu.

Investigações

A família de Nowak autorizou a liberação das imagens. Mark Nowak, pai da vítima, definiu o tratamento dado ao filho como "chocante".

"Foi desumano e degradante... seu assassino, no entanto, recebeu decência. Acreditaram nele", declarou.

De acordo com informações publicadas pelo The Telegraph, a corporação encaminhou o caso para o Escritório Independente de Conduta Policial (IOPC). Paralelamente, o legista Jason Pegg determinou a abertura de um inquérito com júri, previsto para setembro de 2027.

O objetivo é analisar se as ações da polícia causaram ou contribuíram para a morte, ressaltando que o jovem já estava sob custódia do Estado quando faleceu.

Crise política

O caso foi rapidamente absorvido pelo debate político e criticado por figuras do poder britânico. O primeiro-ministro Keir Starmer chamou as imagens de "angustiantes", admitiu que a polícia tem "perguntas sérias a responder" e se reuniu com a família da vítima.

Nigel Farage, líder do partido Reform UK, declarou que o país vive uma "cultura de dois pesos e duas medidas", afirmando que "os direitos e privilégios das pessoas brancas importam menos do que os das minorias étnicas".

Kemi Badenoch, líder do Partido Conservador, criticou Farage por "aprofundar divisões", mas também atacou a suposta leniência policial no trato com minorias.

O ativista Tommy Robinson discursou à multidão nos protestos afirmando que "se Henry não fosse branco, ele não teria sido algemado" e que os brancos são tratados como "cidadãos de segunda classe".

O primeiro-ministro rebateu essas declarações, acusando Farage de explorar a tragédia para criar divisão e classificando sua resposta como "imperdoável".