
Vice-presidente dos EUA justifica sigilo de texto oficial do memorando com Irã

O vice-presidente dos EUA, JD Vance, contou na terça-feira (16), em um programa apresentado pela jornalista Megyn Kelly, por que Washington ainda não divulgou o texto do memorando de entendimento com o Irã, que está previsto para ser assinado na sexta-feira, 19 de junho.

"A razão pela qual ainda não o tornamos público é que há algumas questões diplomáticas sensíveis em jogo, que os iranianos — e não só eles, mas também alguns de nossos mediadores, como os paquistaneses e os cataris — nos pediram para apresentar na ordem adequada", afirmou Vance.
O vice-presidente acrescentou que não compreende totalmente a situação, mas indicou que "há sensibilidades no mundo árabe e muçulmano" que os EUA estão tentando levar em consideração.
Vance indicou que não importa muito quando o texto será divulgado. "É por isso que não fizemos tanta agitação: porque, no máximo, o texto será divulgado na sexta-feira", acrescentou.
Vance também afirmou que há um setor político que quer que o presidente Trump envie "centenas de milhares de tropas terrestres para o Irã", apesar de, como disse, haver agora "um acordo muito bom para o povo americano", acusando-os de promover um conflito sem fim.
O Canal 12 israelense informou que Tel Aviv pediu a Washington para ver o memorando de entendimento, mas o pedido foi rejeitado. Portanto, Israel ainda não sabe todos os detalhes do acordo.
Acordo
No domingo (14), Washington e Teerã declararam que o texto do memorando de entendimento já estava finalizado e que a assinatura oficial ocorrerá na sexta-feira (19), na Suíça, encerrando semanas de negociações tensas entre os dois países.
"O acordo com a República Islâmica do Irã já é uma realidade. Parabéns a todos!", afirmou Donald Trump, autorizando "plenamente a abertura sem restrições do estreito de Ormuz" e o "levantamento imediato do bloqueio naval dos Estados Unidos".
O vice-ministro de Assuntos Jurídicos e Internacionais da Chancelaria iraniana, Kazem Gharibabadi, declarou que, conforme o acordado, "a partir desta noite [domingo (14)] será anunciado o fim imediato e definitivo da guerra e das operações militares em várias frentes, incluindo o Líbano".
O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, mediador-chave das negociações, também confirmou que o acordo inclui o Líbano.

