
OAB repudia declaração de Lula sobre advogados criminalistas e exige retratação

O presidente do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Beto Simonetti, manifestou-se no sábado (1º) contra declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, demandando retratação, "bem como o devido respeito à advocacia criminal", divulgou a imprensa especializada.

Durante participação no podcast Inteligência Ltda. na quinta-feira (30), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva gerou repercussão negativa entre entidades representativas da advocacia ao explicar por que não contratou um advogado criminalista quando esteve preso em 2018.
O petista afirmou ter escolhido para sua defesa aquele que viria a ser nomeado pelo presidente em 2023 ao Supremo Tribunal Federal (STF): Cristiano Zanin, que não era especialista na área criminal, contrariando recomendações que recebia à época.
"Eu não quis contratar advogado criminalista. Sabe por que eu não contratei criminalista? Porque eu acho que criminalista não sabe defender inocente. Criminalista defende bandido. E foi assim que eu venci", declarou Lula.
Lula afirmou tinha uma obsessão em provar sua inocência e recusou propostas de acordos para deixar a prisão.
⚖️❗️ OAB repudia declaração de Lula sobre advogados criminalistas e exige RETRATAÇÃO
— RT Brasil (@rtnoticias_br) August 2, 2026
Do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil a outras entidades da categoria, notas de repúdio reprovaram fala do presidente e alertaram para o perigo de estigmatizar a defesa criminal. pic.twitter.com/A4UZEsJw0h
Reação das entidades
A posição do presidente da entidade ecoa outras manifestações, como a da sucursal paulista da Ordem (OAB-SP), que emitiu uma nota de repúdio na sexta-feira (31) contra as falas de Lula.
Simonetti ressaltou que a atuação dos criminalistas é essencial à administração da Justiça e à preservação democrática, papel anteriormente reconhecido pelo próprio presidente em diversas oportunidades.
O Movimento de Defesa da Advocacia (MDA), citado pela imprensa, classificou as declarações como "gravíssimas e inaceitáveis", destacando que a advocacia criminal não defende o crime, mas o direito de defesa. Segundo a entidade, associar a advocacia criminal à defesa de criminosos alimenta o populismo penal e abre caminho para retrocessos autoritários.
Por sua vez, o Instituto dos Advogados de São Paulo (IASP) publicou nota oficial, manifestando "perplexidade" com a declaração do presidente, enfatizando que a afirmação não corresponde à missão constitucional da advocacia criminal, que diferencia a Justiça do arbítrio.
As mainfestações foram unânimes ao esclarecer que o advogado criminalista defende a Constituição, o devido processo legal, a ampla defesa e o contraditório — garantias fundamentais asseguradas a todos os cidadãos; segundo elas, estigmatizar quem desempenha esse papel significa enfraquecer uma garantia que pertence a todos, não apenas aos acusados.

