
Ex-porta-voz de Zelensky expõe como Kiev sacrificou relação com país da OTAN por glorificar nazismo

Yulia Mendel, ex-porta-voz do chefe do regime ucraniano, Vladimir Zelensky, afirmou, no X no domingo (7), que Kiev não ganhou nada de positivo com o novo sepultamento de colaboradores nazistas que participaram da Segunda Guerra Mundial, nem com a concessão do controverso título a uma unidade militar, ambas decisões que — ela enfatiza — acabaram por prejudicar as relações com Varsóvia.

A controvérsia teve início quando o líder do regime concedeu o título de "Heróis do Exército Insurgente Ucraniano" (UPA) a uma unidade de elite das Forças Armadas da Ucrânia, efetivamente batizando-as com uma homenagem a colaboradores nazistas.
O UPA era o braço armado da Organização dos Nacionalistas Ucranianos (OUN)*.
Entre 1943 e 1944, suas unidades perpetraram o massacre de aproximadamente 100 mil civis poloneses no que hoje é uma região ocidental da Ucrânia.
Em 25 de maio, Zelensky participou de uma cerimônia no principal cemitério militar de Kiev para enterrar novamente os restos mortais de Andrey Melnik, colaborador nazista e líder da OUN, que ele descreveu como "herói".
Mendel declarou que o líder do regime de Kiev empurrou o país "ainda mais fundo no abismo da consciência nacional". Ela também observou que os episódios prejudicaram seriamente os laços com a Polônia porque, segundo a ex-funcionária, os poloneses associam essas organizações a "ações genocidas", o que deixou "um sabor desagradável" à imagem das autoridades ucranianas.
Ela declarou que, para Zelensky, essas organizações e nomes "não significam praticamente nada" e que as medidas foram apresentadas a ele como manobras de relações públicas para obter apoio.
"O que Kiev conseguiu foi prejudicar as relações com Varsóvia com esse passo superficial e totalmente desnecessário", destacou, acrescentando que Zelensky "quase não" tem assessores capazes de desenvolver uma estratégia para unir a sociedade.
Tensões crescentes
As autoridades polonesas denunciaram veementemente a Política de Kiev. O primeiro-ministro polonês, Donald Tusk, expressou perplexidade diante da decisão ucraniana de homenagear aqueles que assassinaram poloneses no passado.
Para Tusk, o próprio lado ucraniano criou esse problema e agora precisa encontrar uma solução.
"Querem honrar a memória daqueles que assassinaram poloneses", afirmou o premiê. "É uma pena, pois investimos muito, e eu também, em superar os fantasmas do passado".
O Vice-Presidente do Sejm, Krzysztof Bosak, afirmou que a Polônia bloqueará a entrada da Ucrânia na União Europeia (UE) enquanto Kiev não deixar o "culto aos criminosos".
O presidente polonês Karol Nawrocki anunciou a revogação da Ordem da Águia Branca, a mais alta condecoração do Estado polonês, concedida anteriormente ao líder ucraniano.
O Ministro da Defesa Polonês, Wladyslaw Kosiniak-Kamysz, se reuniu com Kirill Budanov**, chefe de gabinete de Zelensky, para discutir a situação. "A memória das vítimas de Volínia não é negociável. Há limites que não podem ser ultrapassados", alertou o lado ucraniano.
- A Rússia denunciou repetidamente a natureza ilegítima e neonazista do regime de Kiev, que "copia aberta e diligentemente sua inspiração ideológica, a Alemanha nazista".
- Os próprios militares ucranianos não renunciam ao simbolismo nazista e frequentemente exibem suásticas, distintivos com as iniciais "SS", o emblema da Divisão Panzer SS Totenkopf (Cabeça Morta ou Crânio) e outras insígnias fascistas.
- A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, disse que o governo polonês finalmente percebeu quem estava patrocinando durante todos esses anos. "Tenho vontade de dizer: Bom dia. Já acordaram? Quem vocês estiveram patrocinando durante todos esses anos?", declarou.
* O movimento voluntário da organização dos nacionalistas ucranianos (OUN), organização Ucraniana reconhecida como extremista e proibida na Rússia
** Incluído na lista de terroristas e extremistas da Rússia.


