Bets ganham dobrado sob regulação e arrecadação se iguala a setores tradicionais da economia — Folha de S. Paulo

Tendência deve ser favorecida durante a Copa do Mundo de 2026, que deve injetar até R$ 25 bilhões adicionais no mercado regulado.

A indústria de bets online se consolidou rapidamente no Brasil desde sua regulamentação em janeiro de 2025.

Dados da Receita Federal, cuja análise pela Folha de S. Paulo foi publicada no sábado (6), revelam que o faturamento das empresas licenciadas de apostas duplicou nos primeiros quatro meses de 2026 em comparação com igual período do ano anterior, atingindo R$ 12,2 bilhões.

A arrecadação tributária acompanhou essa aceleração, saltando de R$ 2,2 bilhões para R$ 4,5 bilhões, equiparando-se às contribuições dos setores de tabaco e agricultura.

O Ministério da Fazenda já autorizou 85 licenças empresariais, totalizando 187 sites em funcionamento. Entre as principais marcas, a grega Betano lidera com 23% do mercado, seguida por Bet365 e SportingBet.

A quantidade de apostadores cresceu expressivamente, alcançando 25 milhões de CPFs em 2025, ante 17 milhões no primeiro semestre. A Copa do Mundo promete impulsionar ainda mais o setor, com projeções de acréscimo entre R$ 20 bilhões e R$ 25 bilhões em depósitos.

Impactos psicossociais

Estudos epidemiológicos da Unifesp indicam que 17,6% da população apostaram nos 12 meses anteriores à publicação em novembro de 2025.

A pesquisa também identificou que 4,4% dos jogadores brasileiros apresentam quadro plenamente desenvolvido de comportamento compulsivo, índice que supera em mais do dobro a média mundial de 2%.

A Confederação Nacional do Comércio relaciona o endividamento recorde das famílias à atividade das bets, classificando-as como prejudiciais especialmente a consumidores vulneráveis.

Estimativas apontam que as plataformas clandestinas podem representar até 51% do setor, movimentando entre R$ 26 bilhões e R$ 39 bilhões e alarmando o mercado regulado.

Essas operações ilegais oferecem vantagens competitivas ao evitar custos com licenças, impostos e normas publicitárias, além de não disponibilizarem mecanismos de proteção ao jogador compulsivo.