Um engenheiro de segurança do Google foi acusado nos EUA de usar informações confidenciais da empresa para fazer apostas na plataforma Polymarket, o que teria lhe rendido mais de US$ 1,2 milhão em ganhos ilícitos, de acordo com uma denúncia apresentada por promotores federais em Nova York.
De acordo com reportagem publicada nesta quinta-feira (28) pelo New York Post, o acusado foi identificado como Michele Spagnuolo, um cidadão italiano de 36 anos radicado na Suíça que trabalhava no Google desde 2014. A Justiça americana o acusou de fraude com commodities, fraude eletrônica e lavagem de dinheiro.
De acordo com a acusação, Spagnuolo utilizou uma conta da Polymarket, chamada "AlphaRaccoon", para realizar, entre outubro e dezembro de 2025, apostas baseadas em dados internos de pesquisas do Google aos quais teria acessado horas antes de efetuar as operações.
Aposta em pesquisas
Um dos episódios citados pelos promotores envolve uma aposta sobre quem seria a pessoa mais pesquisada do ano no Google. De acordo com a denúncia, Spagnuolo apostou no cantor D4vd quando o Polymarket atribuía a ele uma probabilidade próxima de zero. No entanto, dados internos do Google aos quais ele teria acessado horas antes mostravam que o artista já havia ultrapassado Kendrick Lamar nas pesquisas.
Os promotores sustentam, além disso, que o funcionário tentou ocultar a origem e a propriedade dos ganhos obtidos. O Google confirmou que Spagnuolo acessou as informações por meio de uma ferramenta disponível apenas para funcionários, embora tenha esclarecido que utilizar esses dados para apostar viola as políticas internas da empresa. A empresa informou que o engenheiro foi suspenso enquanto colabora com as autoridades.
O caso se soma a outras investigações recentes sobre suposto uso de informações privilegiadas em plataformas de apostas preditivas como Polymarket e Kalshi. Em abril, um soldado americano foi acusado de usar informações confidenciais para obter mais de 400 mil dólares por meio de apostas relacionadas ao momento do sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro. Enquanto isso, reguladores e legisladores investigam possíveis manobras semelhantes ligadas ao conflito entre os EUA e o Irã.