
China lança operação marítima especial perto de Taiwan: o que se sabe?

O Ministério dos Transportes da China organizou no sábado (6) uma operação especial de controle do tráfego marítimo nas águas a leste da ilha chinesa de Taiwan, informou a agência chinesa Xinhua.

"A operação visa exercer plenamente a jurisdição administrativa marítima da China, fortalecer suas capacidades de patrulhamento e aplicação da lei em alto-mar e suas capacidades de controle de tráfego em águas estratégicas, garantir a segurança do tráfego marítimo e salvaguardar os direitos e interesses do Estado", explicou a agência.
Segundo o meio de comunicação, a Administração de Segurança Marítima de Fujian, a Administração de Segurança Marítima de Guangdong, o Centro de Apoio à Navegação do Mar da China Oriental e o Escritório de Resgate do Mar da China Oriental participaram das atividades.

Pequim justificou a medida como uma resposta necessária ao anúncio unilateral do Japão e das Filipinas sobre o início de negociações de fronteira marítima a leste de Taiwan, ato que, segundo o governo chinês, viola gravemente sua soberania territorial e seus direitos marítimos.
O Ministério da Defesa de Taiwan registrou, no mesmo dia, 22 incursões aéreas, oito navios da Marinha do Exército de Libertação Popular da China e duas embarcações oficiais. Dessas aeronaves, duas cruzaram a linha mediana do Estreito de Taiwan e entraram na zona de identificação de defesa antiaérea da ilha.
As forças armadas taiwanesas mobilizaram aeronaves de patrulha, navios da marinha e sistemas de mísseis costeiros para monitorar a situação e responder à atividade detectada.
"Eles não conhecem limites"
A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Mao Ning, enfatizou que qualquer negociação sobre a delimitação das águas a leste de Taiwan exige obrigatoriamente a participação chinesa.
Segundo ela, a China possui zona econômica exclusiva e plataforma continental nessas águas, e a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar estabelece que os limites entre Estados com costas opostas ou adjacentes devem ser determinados por acordo mútuo.

Mao Ning acusou as autoridades do Partido Democrático Progressista de Taiwan de traírem os interesses da nação chinesa em busca de ganhos políticos próprios, afirmando que tais forças independentistas serão rejeitadas pelos compatriotas de ambos os lados do estreito.
"Ambos os lados do Estreito de Taiwan pertencem a uma só China", declarou. "Defender a soberania territorial do Estado e os direitos e interesses marítimos é uma responsabilidade compartilhada por todo o povo chinês em ambos os lados do estreito", acrescentou.
- Taiwan é autogovernada e possui administração própria desde 1949, enquanto a China a considera parte inalienável de seu território. A maioria dos países da comunidade internacional, incluindo a Rússia e o Brasil, reconhece a ilha como parte integrante da República Popular da China.

