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'Derrota vergonhosa': Parlamentares alemães querem explicações de Baerbock após fracasso eleitoral na ONU

A atual presidente da Assembleia Geral da ONU ocupou anteriormente o cargo de ministra das Relações Exteriores da Alemanha, durante período de registro da candidatura alemã ao Conselho de Segurança do órgão.
'Derrota vergonhosa': Parlamentares alemães querem explicações de Baerbock após fracasso eleitoral na ONUGettyimages.ru / picture alliance / Contributor

Parlamentares da União Democrata Cristã/União Social Cristã (CDU/CSU) no Parlamento alemão querem convocar a ex-ministra das Relações Exteriores e atual presidente da Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), Annalena Baerbock, para explicar a derrota sem precedentes da Alemanha nas eleições para membro rotativo do Conselho de Segurança da ONU, noticiou o jornal alemão Bild na sexta-feira (5).

Na votação realizada na quarta-feira (3), o país necessitava de 127 votos dos 193 Estados-membros, mas obteve apenas 104, perdendo para Áustria e Portugal pela primeira vez na história. A candidatura alemã havia sido registrada em 2019, durante a gestão da chanceler Angela Merkel.

"Precisamos investigar a fundo as causas desta vergonhosa derrota eleitoral", exigiu Stephan Mayer, membro da comissão. Segundo ele, Baerbock, que comandou o Ministério das Relações Exteriores entre 2021 e 2025, deve esclarecer como e quando seu ministério trabalhou para mobilizar apoio à candidatura alemã.

Manfred Pentz, ministro das Relações Exteriores do estado alemão de Hesse, complementa que o atual chanceler Friedrich Merz e o ministro Johann Wadephul não podem ser responsabilizados por algo preparado na gestão anterior.

"As duas últimas vezes em que a Alemanha esteve representada no Conselho de Segurança foram durante o mandato da chanceler Angela Merkel. Naquela época, tudo estava devidamente preparado ", observou.

Estilo presunçoso

A repercussão internacional do fracasso oportunizou ainda que críticas contundentes ao estilo diplomático de Baerbock excedessem o escopo da política alemã.

O ex-presidente de Botsuana, Mokgweetsi Masisi, declarou que o resultado é um reflexo da postura paternalista adotada em face do continente africano pela ex-ministra durante sua gestão.

"Talvez a Sra. Baerbock devesse ter se concentrado em fazer seu trabalho como diplomata alemã, em vez de tentar dizer aos nigerianos onde construir seus banheiros e aos africanos como tratar elefantes. [...] Talvez então a Alemanha tivesse conquistado mais votos da África para a vaga na ONU", argumentou Masisi.

Ele mencionou que cartas oficiais enviadas por Botsuana foram ignoradas por meses pelo governo alemão, gerando ressentimento. O ex-presidente declarou, dessa forma, se sentir mais confiante nas relações com a Alemanha após a saída de Baerbock do cargo.

A Alemanha planeja tentar novamente uma vaga não permanente no Conselho de Segurança dentro de sete anos.