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'Sem precedentes': Imprensa destaca derrota histórica da Alemanha no Conselho de Segurança da ONU

Segundo diversos veículos da imprensa internacional, a falta de votos para que Berlim conseguisse uma cadeira expõe desgaste diplomático e amplia ainda mais as críticas contra o governo do chanceler Friedrich Merz.
'Sem precedentes': Imprensa destaca derrota histórica da Alemanha no Conselho de Segurança da ONUGettyimages.ru / Michele Tantussi

A derrota da Alemanha na eleição para uma cadeira temporária do Conselho de Segurança da ONU na quarta-feira (3) provocou forte repercussão na imprensa internacional, relacionada principalmente à influência diplomática de Berlim.

O país recebeu 104 votos na Assembleia Geral, ficando atrás de Portugal, com 134, e da Áustria, com 131, e não alcançou o mínimo necessário para conquistar uma das vagas disponíveis.

Nas redes sociais, o chanceler alemão Friedrich Merz afirmou que as tarefas impostas pela ONU para a Alemanha "não se alteram com esse resultado" e que Berlim continua sendo "um pilar confiável do multilateralismo".

O jornal britânico The Guardian classificou o resultado como uma derrota sem precedentes para a Alemanha e apontou que o episódio gerou um intenso processo de reflexão política em Berlim.

A publicação afirmou que o resultado representa um golpe para o governo do chanceler Friedrich Merz, que busca projetar a Alemanha como uma liderança europeia.

Segundo o jornal, o ministro das Relações Exteriores, Johann Wadephul, atribuiu a derrota ao apoio alemão à Ucrânia e a Israel.

"Temos assumido posições claras em determinadas questões, e nem todos os Estados-membros compartilham dessas posições", declarou.

A publicação também destacou críticas da oposição. A líder da AfD, Alice Weidel, afirmou que "um constrangimento sucede o outro", enquanto integrantes do Partido Social-Democrata classificaram o resultado como um "sinal de alerta".

Política externa

O portal Politico definiu a derrota como um "grande revés diplomático" para o chanceler alemão. O veículo ressaltou que Berlim conduziu uma intensa campanha para garantir a vaga, e mesmo assim perdeu.

A reportagem destacou que a derrota pode ampliar as críticas internas contra Merz, que assumiu o governo prometendo restaurar a liderança internacional da Alemanha.

A emissora catariana Al Jazeera questionou se o apoio alemão a Israel foi decisivo para a derrota. A reportagem destacou que foi a primeira vez em décadas que a Alemanha fracassou na tentativa de obter uma vaga rotativa no Conselho de Segurança.

Já Craig Mokhiber, ex-diretor do escritório de Nova York do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, classificou o resultado como "um raro momento de justiça" na Assembleia Geral da ONU e associou a derrota ao apoio alemão a Israel e à sua atuação no Oriente Médio.

A reportagem também observou que Portugal se beneficiou de sua imagem de ator diplomático relativamente neutro e de seus laços internacionais, enquanto a Áustria explorou neutralidade militar durante a campanha.

'Humilhação' para a diplomacia alemã

Para o jornal alemão Welt, a exclusão da Alemanha representa uma perda de prestígio, mas altera pouco a capacidade de influência do país devido às limitações do próprio Conselho de Segurança.

Já a revista Stern tratou o resultado como uma "humilhação" para a diplomacia alemã e um revés direto para Merz e para o ministro Wadephul.

A publicação observou que, após seis candidaturas bem-sucedidas ao longo das últimas décadas, a Alemanha fracassou pela primeira vez na disputa por uma cadeira no órgão.