
EUA confirmam novos ataques contra o Irã em meio ao cessar-fogo

O CENTCOM dos EUA confirmou nesta sexta-feira (5) que realizou novos ataques contra instalações estratégicas iranianas, sob o argumento de "prevenir" possíveis agressões por parte da nação persa, após ter interceptado vários drones de ataque.
"As forças norte-americanas atacaram estações de radar de vigilância costeira iranianas em Goruk e na ilha de Qeshm para prevenir novos ataques", lê-se em um comunicado divulgado pelo órgão no X.
Segundo a versão de Washington, antes de tomar essa decisão, o CENTCOM derrubou "quatro drones de ataque iranianos lançados em direção ao estreito de Ormuz", que "representavam uma ameaça imediata ao tráfego marítimo regional".
Moments ago, CENTCOM forces shot down four Iranian one-way attack drones that were launched toward the Strait of Hormuz. The attack drones posed an immediate threat to regional maritime traffic. U.S. forces subsequently struck Iranian coastal surveillance radar sites in Goruk and…
— U.S. Central Command (@CENTCOM) June 5, 2026
Embora o cessar-fogo acordado em 6 de abril continue tecnicamente em vigor, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, redefiniu seu alcance nesta semana ao considerar que, nesse caso, o mais realista seria esperar uma "moderação" das hostilidades, e não sua suspensão absoluta.
"É mais ou menos assim: é outra parte do mundo. Sabe, eu diria que naquela parte do mundo um cessar-fogo é quando se atira de forma mais moderada. Um dia de cada vez", afirmou ao ser questionado pela imprensa sobre o tema.
Impasse
Nesta sexta-feira (5), o assessor militar iraniano Mohsen Rezaei descartou que o conflito esteja majoritariamente encerrado, como afirmou o presidente norte-americano. Pelo contrário, assegurou que Washington e Teerã estão "na primeira etapa das negociações" e responsabilizou Trump pelo impasse.

"Na minha opinião, as negociações estão estagnadas e Trump deve destravar a situação. (...). O Irã declarou abertamente que nossos ativos estão congelados e que eles devem liberá-los. Os americanos não estão dizendo a verdade sobre isso", afirmou.
Além disso, Rezaei exigiu que o chefe de Estado tome decisões "independentemente de Israel".
"O senhor Trump deve tomar decisões independentemente de Israel. Deve garantir os direitos do povo iraniano, levantar o bloqueio e liberar os ativos congelados. Isso poderia abrir um novo horizonte para o futuro do Irã e dos EUA", declarou.
Por sua vez, Trump declarou à NBC que seu governo não recebeu sinal verde da contraparte iraniana nas negociações, porque eles são "fortes" e "orgulhosos", apesar de que, segundo afirmou, ficaram "virtualmente decapitados".
- Apesar da frágil trégua declarada no início de abril entre Washington e Teerã, a situação na região tem sido marcada recentemente por ataques e ameaças mútuas.
- Na noite anterior, também ocorreu uma troca de ataques. Em particular, os EUA lançaram um míssil contra um petroleiro que tentou se aproximar de um porto iraniano no golfo Pérsico. Além disso, uma antena de telecomunicações na ilha de Qeshm foi alvo de um ataque.
- Em resposta, o Irã atacou bases dos EUA no Kuwait e no Bahrein, afirmando que os dois países eram "diretamente responsáveis" pela ofensiva.
- O ex-chefe da Guarda Revolucionária Islâmica e atual assessor militar do líder supremo do Irã, Mohsen Rezaei, anunciou na quarta-feira (3) que cada disparo e agressão norte-americana será respondido com "uma chuva de mísseis e drones".
- Enquanto isso, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou na terça-feira (2) que um acordo com o Irã poderá ser alcançado nos próximos dias e que o país persa teria aceitado negociar aspectos de seu programa nuclear.
- A República Islâmica, por sua vez, sustenta que "o inimigo será obrigado a aceitar as novas regras que o Irã impôs no terreno".
