
Cruzada americana? Pentágono remove 180 religiões de sua lista oficial

O Departamento de Defesa dos EUA eliminou oficialmente cerca de 180 crenças religiosas de sua lista de afiliações reconhecidas, reduzindo-as para apenas 31, informa o portal especializado Military.com, citando um memorando obtido sobre o assunto.
A medida, impulsionada pelo secretário de Defesa americano, Pete Hegseth, visa agilizar a coleta de preferências religiosas para melhorar o apoio dos capelães militares.

A nova lista inclui mantém grupos majoritários como agnósticos, budistas, hindus, muçulmanos, judeus, sikhs e vários grupos cristãos, excluindo minorias como ateus, pagãos, wiccanos e humanistas. Hegseth justificou a transformação alegando pela inviabilidade do sistema anterior, destacando que 82% dos militares religiosos utilizam apenas seis códigos de filiação.
Contradições internas
Um ex-capelão do Exército citado na reportagem, preservando anonimato, classificou a lista como violação flagrante da Primeira Emenda da Constituição dos Estados Unidos, que assegura o livre exercício religioso. Veteranos que praticam tradições excluídas relataram experiências anteriores de discriminação religiosa e temem que militares ativos enfrentem dificuldades para obter suporte espiritual, comprometendo seu bem-estar psicológico.
A Fundação da Liberdade Religiosa Militar, representando mais de 100 mil militares, denunciou a iniciativa como afronta à separação constitucional entre Estado e religião.
A controvérsia se intensifica diante de declarações públicas de Hegseth sobre "tornar grande novamente" o corpo de capelães e realizar cerimônias cristãs no Pentágono, alimentando receios sobre ascensão do nacionalismo cristão nas instituições militares americanas.
- O secretário da Guerra, que tem tatuagens de iconografia nacionalista cristã, é também autor do livro "Cruzada Americana", publicado em 2020, quando ocupava os quadros da emissora americana conservadora Fox News.
"Nosso momento atual se assemelha muito ao século XI”, escreve Hegseth em seu livro, que aponta o Islã e o "flagelo do esquerdismo" como inimigos da América. "Nós, cristãos — juntamente com nossos amigos judeus e seu notável exército em Israel — precisamos empunhar a espada do americanismo sem remorso e nos defender."
