
Chikungunya pode se alastrar pelo mundo devido às mudanças climáticas: quais regiões correm risco?

Uma equipe de pesquisadores chineses descobriu que o vírus da chikungunya, transmitido por mosquitos, pode deixar de ser um problema exclusivo das regiões tropicais e subtropicais devido ao aquecimento global, que facilitará sua propagação, segundo reportagem do EurekAlert.
Atualmente, sabe-se que a doença não é endêmica na Europa nem na América do Norte. Por isso, os casos registrados nesses territórios correspondem exclusivamente a viajantes que contraíram o vírus em regiões tropicais ou subtropicais.
De acordo com dados oficiais, até o momento de 2026, ocorreram cerca de 33 mil infecções sintomáticas em todo o mundo, com nove mortes, a maioria delas na América do Sul.

A pesquisa, publicada nesta quarta-feira (27) na revista Frontiers in Cellular and Infection Microbiology, analisou dezenas de milhares de registros da presença do vírus e de seus vetores em todo o mundo.
Os cientistas utilizaram 16 cenários climáticos desenvolvidos pelo Grupo Intergovernamental de Peritos sobre Mudanças Climáticas (órgão da ONU), juntamente com variáveis como temperatura, precipitação, vento ou altitude.

"Nossos resultados mostraram que as mudanças climáticas afetam a chikungunya principalmente ao alterar os locais onde os mosquitos vetores podem viver.
Em nosso estudo, o mosquito tigre asiático foi especialmente importante, sendo responsável por mais de 70% da distribuição prevista do vírus", indicou o coautor do estudo, Yang Wu.
"Como esse mosquito consegue tolerar condições mais frias do que o mosquito da febre amarela, o aquecimento pode permitir que ele se estabeleça em locais que antes eram muito frios", acrescentou.
Principais conclusões
Os autores do estudo concluíram que, embora a magnitude da expansão varie de acordo com o cenário, há regiões que aparecem sistematicamente como futuros focos do vírus: o nordeste da América do Norte, o centro e o norte da Europa e o leste da Ásia.

"Atualmente, 139 países ou regiões – que representam 21,3% da superfície terrestre mundial – são áreas de risco para o vírus da chikungunya. Mas demonstramos que, de acordo com os modelos de mudança climática, o vírus se expandirá ainda mais para o norte, em direção a regiões temperadas", explicou o pesquisador Ye Xu.
Apesar das conclusões da pesquisa, os cientistas ressaltam que não se trata de semear o pânico, mas de agir com antecedência. Portanto, recomendam que as regiões identificadas como futuros focos implementem medidas antes de 2040.
Entre as propostas estão a vigilância de mosquitos, a formação de médicos, o controle de vetores e a elaboração de planos de resposta rápida.
- De acordo com informações da Organização Mundial da Saúde (OMS), a chikungunya "é transmitida por meio de mosquitos fêmeas infectados [...] que também podem transmitir os vírus da dengue e da zika". Além de febre e fortes dores articulares, que são debilitantes e podem se prolongar por muito tempo, provoca outros sintomas, como inflamação das articulações, dores musculares, cefaleia, náuseas, cansaço e erupções cutâneas.

