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Confira quais países adotaram medidas diante do surto de ebola

A resposta dos países tem sido desigual em relação ao surto da doença na República Democrática do Congo e em Uganda, .
Confira quais países adotaram medidas diante do surto de ebolaGettyimages.ru

O surto do vírus de Bundibugyo, uma cepa do ebola declarada pela OMS como emergência de saúde pública internacional, continua se espalhando na República Democrática do Congo (RDC) e em Uganda. Até o momento, somam-se 906 casos suspeitos, dos quais 105 confirmados, e 223 mortes suspeitas, das quais 10 foram confirmadas na RDC. Em Uganda, por sua vez, foram registrados sete casos e uma morte confirmada.

Apesar de a rápida propagação da doença ter colocado vários países em alerta, as abordagens são divergentes. Segundo a Reuters, a União Europeia concluiu que não seriam necessários controles de entrada para passageiros provenientes da RDC e de Uganda, ao considerar que o risco é baixo para a população do bloco.

No entanto, a Rússia, apesar de também ter considerado que os riscos de importação da febre do ebola são baixos, anunciou na quarta-feira (27) o reforço dos controles sanitários e de quarentena nos postos de fronteira do país.

Américas

Depois que, na semana passada, Washington proibiu a entrada de cidadãos estrangeiros que tivessem viajado para a República Democrática do Congo, Uganda ou Sudão do Sul nas últimas semanas, na sexta-feira (22) a proibição foi estendida aos titulares de green card que tivessem estado nesses países nos 21 dias anteriores. Além disso, o Aeroporto Internacional Hartsfield-Jackson de Atlanta foi adicionado no sábado (23) à lista de destinos restritos, juntamente com o Aeroporto Internacional Washington Dulles. Os cidadãos americanos que retornam das regiões afetadas são encaminhados a áreas de controle designadas onde os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) aferem a temperatura do viajante, verificam o histórico de viagens e monitoram os sintomas.

O governo do Canadá anunciou que, a partir desta quinta-feira (28), suspenderá por 90 dias a emissão de documentos migratórios para residentes da República Democrática do Congo, Uganda e Sudão do Sul. Os cidadãos canadenses, residentes permanentes e outros estrangeiros que tenham estado em zonas afetadas nas últimas semanas e não apresentem sintomas deverão permanecer em quarentena por 21 dias a partir de 30 de maio.

Da mesma forma, o governo das Bahamas anunciou na terça-feira (26) a proibição imediata da entrada de residentes provenientes desses três países, válida por 30 dias, juntamente com controles sanitários mais rigorosos para os estrangeiros que tenham estado nessas nações no mês anterior à sua chegada.

No Caribe, as Ilhas Cayman anunciaram, em 20 de maio, a implementação de medidas de controle reforçadas após a chegada de um voo com dois passageiros que haviam viajado recentemente para a RDC.

Por fim, no México, foram detalhadas na segunda-feira (25) medidas mais rigorosas para a detecção do ebola em aeroportos, exigindo ainda que aqueles que chegam do Congo cumpram uma quarentena de 21 dias. O alerta é importante no país, pois a seleção da República Democrática do Congo viajará no próximo dia 23 de junho para enfrentar a Colômbia no estádio de Guadalajara como parte dos jogos da primeira fase da Copa do Mundo.

Ásia e África

A Índia implementou medidas de controle e vigilância em aeroportos e outros pontos de entrada, emitiu alertas sobre precauções e instou seus cidadãos a evitar viagens não essenciais ao Congo, Uganda e Sudão do Sul.

Por outro lado, a Tailândia anunciou que os passageiros provenientes da RDC e de Uganda só poderão entrar no país pelo aeroporto de Suvarnabhumi (o maior do país, em Bangcoc), onde serão submetidos a controles sanitários e deverão cumprir uma quarentena de pelo menos 21 dias.

No Oriente Médio, a Jordânia suspendeu, em 19 de maio, a entrada de viajantes provenientes da RDC e de Uganda, enquanto o Bahrein anunciou, no mesmo dia, a suspensão por 30 dias da entrada de viajantes estrangeiros provenientes do Sudão do Sul, da RDC e de Uganda.

Uganda ordenou na quarta-feira (27) o fechamento "com efeito imediato" de sua fronteira com a República Democrática do Congo, enquanto que o Quênia, um dos dez países africanos considerados em risco, reforçou os controles nos pontos de entrada de alta vulnerabilidade, habilitando também centros de isolamento e quarentena nas zonas fronteiriças.

Brasil 

Diante do alerta da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre o surto de Ebola que já atinge 10 países da África Subsaariana, o Ministério da Saúde ativou, nesta segunda-feira (25), o Plano de Contingência Nacional para Febres Hemorrágicas Virais. Embora o Brasil nunca tenha registrado casos da doença, o governo intensificou a vigilância epidemiológica com foco em pessoas que viajaram recentemente para a República Democrática do Congo e Uganda. A estratégia, coordenada pelos Centros de Informações Estratégicas de Vigilância em Saúde (CIEVS), prioriza a identificação precoce e o isolamento de suspeitos, seguindo as diretrizes da OMS de não adotar restrições de fronteiras ou de comércio.