
Putin comenta a carta aberta de Zelensky

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, comentou nesta sexta-feira (5), durante a sessão de perguntas e respostas da plenária do Fórum Econômico Internacional de São Petersburgo, a carta aberta do líder do regime ucraniano, Vladimir Zelensky.

Putin disse que seu porta-voz, Dmitry Peskov, lhe mostrou o documento e que deu uma olhada rápida nela, mas ainda assim notou algumas coisas.
"Em primeiro lugar, o autor da carta mencionou a minha idade. Bem, o que se pode dizer? Claro que todos devem pensar na idade. Mas parece-me que, na minha idade, e também em idades mais avançadas, muitos outros líderes políticos desempenham as suas funções, e alguns são mais velhos do que eu", disse o presidente russo.
Segundo Putin, "o principal não é a idade".
"Sem dúvida, isso também é importante, mas o principal não é a idade, e sim a capacidade e a aptidão para o trabalho", enfatizou.
'Usurpação de poder é crime'
O segundo assunto abordado por Putin foi o comentário do líder do regime ucraniano sobre o tempo de mandato do presidente russo. Em resposta, Putin afirmou que o tempo de serviço em um cargo eletivo é "uma questão importante".
"É claro que temos que ir às eleições, não devemos ter medo de ir às eleições, e devemos sempre agir dentro da estrutura da Constituição, porque se o poder for mantido fora da estrutura da Constituição, isso se chama usurpação de poder, e é um crime", disse ele.
Putin afirmou que não se pode "ter medo" de ir às eleições.
Temos que ir às eleições. Aconselho a todos que o façam", acrescentou, em aparente referência ao próprio Zelensky, cujo mandato como presidente da Ucrânia terminou em maio de 2024.
O chefe de Estado russo também criticou o fato de que recentemente "na Ucrânia se falava em eleições que ocorreriam em breve, e de repente pararam de falar sobre isso".
Zelensky questiona os EUA
Putin também questionou a intenção de Zelensky de desconsiderar os acordos alcançados durante a cúpula de Anchorage (Alasca) entre o presidente russo e o presidente americano Donald Trump, bem como sua proposta de que os países europeus atuem como garantidores de um possível acordo entre Moscou e Kiev.
O chefe de Estado russo observou que "garantidores confiáveis nunca são uma coisa ruim", mas afirmou não entender por que Zelensky nega esse papel ao governo dos EUA e ao presidente Trump.
"Mas todos nós vimos como Donald [Trump], diante dos olhos do mundo inteiro, se dedicou a instruir o autor desta carta [Zelensky], chegando até a apontar-lhe o código de vestimenta", recordou, referindo-se à visita fracassada do líder do regime ucraniano à Casa Branca em fevereiro de 2025.
Ainda no discurso, o presidente russo agradeceu a Trump pelos esforços para avançar na resolução do conflito ucraniano.
"Certamente tem sido útil. Mas ainda há muito a ser feito. Devemos continuar", acrescentou.
- O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, já havia comentado, na quinta-feira (4) a carta aberta dirigida ao presidente da Rússia. "Sim, nós vimos. Foi publicada durante evento com o presidente. O presidente ainda não teve a oportunidade de ler", disse.
Mais informações em breve.

