
Por que os EUA não conseguem excluir a China da América Latina?

O primeiro trem do metrô de Bogotá realizou, em 22 de maio, seu teste inicial na linha 1, construída por um consórcio chinês, como parte da expansão da China na América Latina.

A previsão é que o projeto, que emprega 15 mil pessoas, seja inaugurado em 2028, quando contará com 30 trens elétricos com capacidade para 1.800 passageiros cada, permitindo amenizar os graves engarrafamentos da cidade, informou Responsible Statecraft.
Este programa de infraestrutura é o maior que a Colômbia viu em décadas e é o primeiro sistema na América Latina projetado, construído e operado inteiramente por empresas chinesas. Esse grupo, liderado pela CHEC, venceu a licitação em 2019 com um custo inicial de US$ 4 bilhões, que pode chegar a US$ 5,8 bilhões.
Ampla presença chinesa na América Latina
Após o boom comercial dos anos 2000 entre Pequim e a América Latina, o investimento chinês em infraestrutura, energia e veículos elétricos se espalhou por toda a região.
Empresas da gigante asiática abastecem vagões para os metrôs da Cidade do México, São Paulo, Buenos Aires e Santiago. Da mesma forma, mais de quatro mil ônibus elétricos chineses, em sua maioria da BYD, circulam em cidades como Santiago, Bogotá, Cidade do México, São Paulo, Quito e Montevidéu.
A tecnologia de transporte chinesa está, assim, revolucionando a mobilidade urbana na região, reduzindo a poluição, o consumo de petróleo e o ruído. Devido à melhoria da qualidade de vida dos cidadãos, a pesquisa da AMLAT em dez países da América Latina mostrou que a China é a única potência que melhorou sua imagem na região desde 2021.
Exclusão da China pelos EUA é contraproducente
A mesma pesquisa revelou que 36,1% preferem a China como modelo de desenvolvimento, contra 31,5% que escolhem os Estados Unidos. Apesar de Washington ainda ser vista como a principal potência militar e econômica, sua aprovação caiu 28 pontos sob o presidente Donald Trump, chegando a 65 pontos no México e 34 na Colômbia.
A pesquisa também reflete a esperança de que a América Latina não participe de uma nova Guerra Fria entre os dois países, por isso a maioria prefere diversificar suas alianças e cooperar com todas as potências e com o sul Global.
Por outro lado, a Responsible Statecraft considera que a estratégia de Washington de tentar excluir a China da América Latina destoa tom conciliador que Trump usou com o líder chinês Xi Jinping em sua recente reunião em Pequim, focada em oportunidades comerciais mútuas.
Embora seja compreensível que os Estados Unidos se oponham a qualquer presença militar de outro continente na América, a mídia acredita que a estratégia atual de Washington está falhando e é contraproducente, porque está criticando os investimentos chineses ao mesmo tempo em que busca fazer negócios com Pequim.
Além disso, a instituição argumenta que essa posição não visa defender a segurança nacional, mas sim a imposição dos interesses comerciais americanos na região.


