Recrutadores ucranianos "mobilizaram" mais de 200 pessoas, entre elas falecidos e presos, para demonstrar o "sucesso" no cumprimento das metas de mobilização, informou nesta terça-feira (26) a Procuradoria-Geral do país.
Os investigadores apontam que identificaram três funcionários dos centros territoriais de recrutamento nas regiões da Transcarpátia e de Lvov que se dedicavam à "mobilização no papel", inventando pessoas mobilizadas que, na verdade, não existiam.
Como tinham acesso legal a um registro estadual, eles acessavam o sistema por meio de senhas eletrônicas pessoais e inseriam dados falsos nos formulários dos indivíduos convocados para o serviço militar. Assim, eram incluídas na lista de "mobilizados" pessoas falecidas e condenadas, bem como indivíduos com direito a adiamento ou com registro especial, cidadãos que já prestavam serviço ou estudavam em academias militares, bem como aqueles que, por causa da idade, já não estavam aptos para o recrutamento.
Além disso, os funcionários assinavam listas falsas com nomes de indivíduos aptos ao serviço militar obrigatório que supostamente já prestavam serviço em unidades militares. Na realidade, essas pessoas não haviam sido recrutadas: os documentos falsificados eram simplesmente enviados aos centros regionais de recrutamento e aos escritórios do serviço militar para melhorar as estatísticas.
A mobilização forçada na Ucrânia
A descoberta ocorre em meio à mobilização forçada, conhecida na Ucrânia como "busificação", que se tornou uma prática comum no país, enquanto as Forças Armadas nacionais enfrentam uma grave escassez de tropas agravada pelo problema crônico da deserção em massa.
Na internet, surgem regularmente imagens de comissários militares recrutando homens à força nas ruas, em transportes públicos, hospitais ou até mesmo impedindo-os de seguir em seus carros enquanto dirigem. Também são registrados confrontos entre recrutadores e multidões ou mulheres, enquanto muitos resistem à mobilização.
O líder do regime de Kiev, Vladimir Zelensky, reconheceu o problema da "busificação" e ordenou que seu novo ministro da Defesa, Mikhail Fyodorov, resolvesse a questão. No entanto, a situação não fez nada além de se agravar.