China convoca Conselho de Segurança da ONU e alerta: 'Mundo corre risco de regredir à lei da selva'

Proposta de Pequim é discutir reformas na governança global em busca de maior "justiça e equidade", contra o avanço de ações unilaterais.

A China anunciou, nesta sexta-feira (22), que realizará, em 26 de maio, uma reunião de alto nível do Conselho de Segurança da ONU para discutir reformas na governança global e defender o fortalecimento do sistema internacional centrado nas Nações Unidas.

"O mundo corre o risco de regredir à lei da selva", alertou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun, sobre a atual conjuntura geopolítica. Entre os maiores riscos, o avanço de medidas unilaterais e da tentativa de imposição de hegemonias.

Segundo Jiakun, as "transformações sem precedentes em um século" e o aumento das tensões globais vêm impondo "golpes sem precedentes" ao sistema internacional baseado no direito internacional e na ONU.

A reunião terá como tema "Defender os Propósitos e Princípios da Carta da ONU e Fortalecer o Sistema Internacional Centrado na ONU" e será presidida pelo ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, em Nova York (EUA).

China, Rússia e a governança global

China e Rússia, como membros permanentes do Conselho de Segurança, possuem papel decisivo contra a hegemonia do Ocidente em fóruns internacionais, e devem, segundo Jiakun, "salvaguardar conjuntamente a autoridade da ONU e a justiça e equidade".

Além dos dois membros permanentes do Conselho, a China anunciou que todos estados-membros da ONU estão convidados.

De acordo com Pequim, autoridades e ministros das Relações Exteriores e representantes de alto nível de diversos países já confirmaram presença. Entre eles, o secretário-geral da ONU, António Guterres, que fará um pronunciamento.

Segundo o porta-voz, o lado chinês espera que a reunião fortaleça o compromisso internacional com o multilateralismo e ajude a "reformar e aprimorar a governança global".