Presidente do México critica acusação dos EUA contra Raúl Castro

"Que sentido faz acusar uma pessoa neste momento por algo que aconteceu há 30 anos?", questionou Claudia Sheinbaum, ao defender a soberania da ilha.

A presidente do México, Claudia Sheinbaum, criticou nesta sexta-feira (22) a acusação apresentada nesta semana pela Justiça dos EUA contra o ex-presidente de Cuba, Raúl Castro.

"Que sentido faz acusar uma pessoa neste momento por algo que aconteceu há 30 anos?", afirmou a mandatária ao ser questionada sobre o caso durante sua habitual coletiva de imprensa, na qual reiterou a importância da autodeterminação dos povos.

Na quarta-feira (20), a Justiça dos EUA acusou Castro e outras cinco pessoas de supostamente terem causado a morte de quatro pessoas, incluindo três cidadãos americanos, no contexto da derrubada de duas aeronaves em 1996.

Desde então, Havana afirma que os aviões violaram ilegalmente seu espaço aéreo e que agiu conforme a lei. Após a formalização das acusações, o presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, advertiu que "trata-se de uma ação política, sem qualquer base jurídica, que busca apenas ampliar o dossiê fabricado para justificar o desatino de uma agressão militar contra Cuba".

Sheinbaum considerou que, além de Cuba, outro caso que demonstra que historicamente houve "uma visão intervencionista" por parte dos EUA é o do ex-presidente da Bolívia, Evo Morales, que desde sua candidatura foi associado ao narcotráfico por ser um líder indígena em uma região produtora de folha de coca.

"O Governo de Evo Morales foi o melhor governo da história da Bolívia: aumentou o Produto Interno Bruto, a renda e o nível de vida da população, reduziu a desigualdade e fortaleceu a soberania sobre os recursos naturais", disse ao lembrar que o México jamais concordará com a visão de que outros países influenciem as políticas de nações soberanas.