
'Legítima defesa': Cuba relembra abatimento de aviões em 1996 após acusações dos EUA

O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, relembrou nesta quarta-feira (20) o ocorrido em 24 de fevereiro de 1996, quando quatro cidadãos norte-americanos morreram durante o abatimento de duas aeronaves, em resposta à acusação da Justiça dos EUA contra o ex-presidente cubano Raúl Castro.
La pretendida acusación contra el General de Ejército Raúl Castro Ruz, que acaba de comunicar el Gobierno estadounidense, solo evidencia la soberbia y la frustración que le provoca a los representantes del imperio, la inquebrantable firmeza de la Revolución Cubana y la unidad y… pic.twitter.com/0r0wV0kUX9
— Miguel Díaz-Canel Bermúdez (@DiazCanelB) May 20, 2026
"Os EUA mentem e manipulam os acontecimentos em torno do derrubamento das aeronaves da organização narcoterrorista Hermanos al Rescate, em 1996", destacou Díaz-Canel em sua conta oficial no X, pouco depois de vir a público a acusação contra seu antecessor.
Na data mencionada, Cuba advertiu repetidamente os EUA para que interrompessem as dezenas de voos ilegais sobre seu território, realizados durante 20 meses. Diante da falta de resposta de Washington, a Força Aérea Cubana neutralizou as aeronaves que considerava hostis.
"Em 24 de fevereiro de 1996, Cuba agiu em legítima defesa, dentro de suas águas jurisdicionais, após sucessivas e perigosas violações do nosso espaço aéreo por conhecidos terroristas, sobre as quais o governo norte-americano da época foi alertado em mais de uma dezena de ocasiões, mas ignorou os avisos e permitiu as violações", declarou o atual chefe de Estado da ilha.
As denúncias de Havana foram apresentadas por escrito às autoridades dos EUA e relataram mais de 25 violações do espaço aéreo entre 1994 e 1996.

Diante das "evidências documentais", Díaz-Canel respondeu que Havana não violou o direito internacional, diferente do que "vêm fazendo forças militares dos EUA, com suas execuções extrajudiciais friamente calculadas e abertamente divulgadas contra embarcações civis no Caribe e no Pacífico".
Segundo declarações do procurador-geral interino dos EUA, Todd Blanche, Castro é acusado de assassinar cidadãos americanos e de outros crimes, com base em um processo apresentado no distrito judicial de Miami em quarta-feira (23) de abril de 2022. Washington afirma que os aviões eram civis e que, no momento da interceptação, voavam em espaço aéreo internacional.
A acusação contra o ex-presidente de Cuba (2008-2018) ocorre em meio às ameaças do governo do presidente dos EUA, Donald Trump, e à chegada ao Caribe do porta-aviões mais antigo da Marinha americana, o USS Nimitz (CVN-68).
Ameaças dos EUA contra Cuba
- No dia 29 de janeiro, Donald Trump assinou uma ordem executiva que declara "emergência nacional" diante da suposta "ameaça incomum e extraordinária" que, segundo Washington, Cuba representaria para a segurança dos EUA e da região.
- O texto acusa, sem apresentar provas, o governo cubano de alinhar-se com "numerosos países hostis", abrigar "grupos terroristas transnacionais" e supostamente permitir o deslocamento na ilha de "sofisticadas capacidades militares e de inteligência" da Rússia e da China.
- As alegações infundadas foram usadas como base para imposição de tarifas aos países que vendam petróleo à nação caribenha, além de ameaças de represálias contra aqueles que desafiem a ordem executiva da Casa Branca.
- A medida ocorre em meio à escalada das tensões entre Washington e Havana. Recentemente, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou que planejava impor novas sanções contra Cuba e, na segunda-feira (18), a medida foi concretizada com sanções contra vários integrantes do gabinete de Díaz-Canel.
