
Justiça dos EUA apresenta acusações contra Raúl Castro

A Justiça dos EUA acusou nesta quarta-feira (20) o ex-presidente de Cuba, Raúl Castro, pela derrubada de dois aviões que violaram o espaço aéreo cubano em 1996, episódio que deixou quatro mortos.
Segundo declarações do procurador-geral interino dos EUA, Todd Blanche, o líder cubano é acusado de assassinar cidadãos americanos e de outros crimes, em uma ação apresentada no distrito judicial de Miami em 23 de abril de 2022. Washington afirma que os aviões eram civis e que, no momento da interceptação, voavam em espaço aéreo internacional.
"Segundo a acusação, Raúl Castro e cinco corréus participaram de uma conspiração que terminou com aviões militares cubanos disparando mísseis contra essas aeronaves civis e matando quatro americanos. Essas são as acusações apresentadas por um grande júri federal", afirmou o funcionário.
O que aconteceu?
Cuba advertiu repetidamente os EUA para que interrompessem dezenas de voos ilegais sobre seu território, realizados durante 20 meses. Diante da falta de resposta de Washington, em 24 de fevereiro de 1996, a Força Aérea Cubana derrubou as aeronaves consideradas hostis.

As denúncias de Havana foram encaminhadas por escrito às autoridades americanas e relataram mais de 25 violações do espaço aéreo entre 1994 e 1996.
Os aviões pertenciam à organização "Hermanos al Rescate", criada em Miami e liderada por José Basulto, agente da CIA apontado como responsável por planejar ações para derrubar o governo cubano e atentados contra Fidel Castro.
A reação de Washington
Apesar do caso, os EUA insistiram que os aviões permaneceram em águas internacionais e denunciaram o então presidente Fidel Castro, morto em 2016, e seu irmão Raúl, que na época ocupava o cargo de primeiro vice-presidente do Conselho de Estado e de Ministros.
Duas décadas depois, um grande júri formalizou a acusação contra Raúl Castro após analisar as provas, embora tenha informado que não teve acesso completo à documentação nem aos detalhes específicos das acusações.
Nesta semana, a NBC antecipou que o Departamento de Justiça e o FBI divulgariam oficialmente a denúncia em Miami.
