
Geração Z se rebela contra IA: entusiasmo cai e rejeição cresce

Uma grande parte da Geração Z, em vez de liderar a adoção da inteligência artificial, está encabeçando a oposição à tecnologia, informa a revista Fortune publicada nesta quinta-feira (21).
As estatísticas mostram que os adultos mais velhos nos Estados Unidos estão atualmente mais dispostos a aceitar a IA do que as gerações mais jovens.
Segundo uma pesquisa da Gallup, o entusiasmo da Geração Z pela inteligência artificial sofreu uma forte queda de 14 pontos em comparação com 2025, situando-se em apenas 22%, enquanto a rejeição e a irritação cresceram 9 pontos, alcançando 31%.
Por outro lado, uma pesquisa da Numerator, realizada com mais de 5.000 consumidores, mostrou que 57% dos jovens da Geração Z que ainda não utilizam IA se recusam a adotá-la no futuro, número que contrasta com o dos "baby boomers", entre os quais apenas 32% demonstram a mesma resistência.

A IA como tarefa, ladra e ameaça
O veículo considera que uma das causas dessa tendência é que cada tecnologia que conquistou os jovens surgiu de baixo para cima: os videogames como um fruto proibido, as redes sociais como um território sem controle dos adultos e a internet como uma fronteira a ser explorada.
A inteligência artificial, por outro lado, foi adotada primeiro pelos adultos, chegando como uma imposição por parte das escolas, que estabeleceram requisitos de alfabetização em IA; dos empregadores, que exigiram seu domínio antes da graduação dos estudantes; e do Governo, que criou grupos de trabalho.
Além disso, essa geração cresceu valorizando fortemente a autenticidade, princípios que, segundo o texto, estão sendo atacados pela IA.
A tecnologia automatiza a criatividade e as interações por meio de suas capacidades de gerar arte, redações e simular relações pessoais.
Por isso, segundo os dados da Gallup, 48% da Geração Z consideram que os perigos dessa tecnologia no mercado de trabalho superam suas vantagens.
Além disso, trata-se da primeira geração que adotou a tecnologia das redes sociais e sofreu suas consequências negativas, tendo posteriormente recuado por decisão própria.
Atualmente, um terço dos jovens já apagou algum aplicativo, segundo uma pesquisa da Deloitte de 2025, enquanto a venda de telefones básicos volta a crescer como método para estabelecer limites.
Essa mesma cautela se estende à IA. Oito em cada dez estudantes entrevistados pela Gallup acreditam que o uso da tecnologia pode prejudicar sua educação futura.
Da mesma forma, menos de 30% dos trabalhadores da Geração Z confiam em tarefas assistidas por IA, e quase nenhum confia em trabalhos realizados exclusivamente pela tecnologia.

