O presidente da Rússia, Vladimir Putin, que está em visita oficial à China entre os dias 19 e 20 de maio se reúne em Pequim com o presidente chinês, Xi Jinping, nesta quarta-feira (20). As negociações estão sendo realizadas em formato reduzido, com a participação de membros-chave da delegação russa.
"Hoje, nossas relações atingiram um nível sem precedentes, constituindo um exemplo de uma parceria verdadeiramente abrangente e de interação estratégica. Não é por acaso que nossa delegação inclui grande parte do governo da Federação da Rússia, líderes empresariais e representantes de organizações sociais e educacionais", declarou Putin.
O presidente russo explicou ainda que o trabalho está programado para começar com discussões sobre "questões-chave da interação bilateral, principalmente na esfera econômica". "Em seguida, daremos continuidade às negociações com a participação das delegações", afirmou.
Concluída esta fase, as negociações passarão para um formato ampliado. A delegação russa será composta por 39 pessoas: cinco vice-primeiros-ministros, oito ministros, representantes da Administração Presidencial, além de delegados do Banco Central da Rússia, diretores de empresas estatais e executivos de grandes empresas russas.
O que está na pauta
Um dos temas a serem discutidos entre os presidentes será a cooperação no setor de hidrocarbonetos.
Segundo o assessor presidencial russo Yuri Ushakov, representantes envolvidos em projetos do setor participarão das discussões. Além disso, será discutido o projeto Força da Sibéria 2, um gasoduto que ligará os campos de gás da Sibéria Ocidental à China, passando pela Mongólia.
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Ushakov enfatizou que a Rússia é "um dos maiores exportadores" de gás natural para a China, acrescentando que as exportações russas de petróleo para o gigante asiático aumentaram 35%, um volume equivalente a 31 milhões de toneladas, durante o primeiro trimestre deste ano.
Assinatura de documentos bilaterais
Putin e Xi também assinarão uma declaração conjunta sobre o fortalecimento da parceria abrangente e da cooperação estratégica, bem como o aprofundamento das relações de boa vizinhança, amizade e cooperação.
Está prevista a assinatura de cerca de 40 documentos bilaterais, incluindo acordos intergovernamentais, interinstitucionais e comerciais, com o objetivo de aprofundar a cooperação nas áreas da indústria, comércio, transporte, construção, inovação, educação e cinema, bem como nas áreas de energia nuclear e cooperação entre agências de notícias. Entre eles, 21 serão assinados na presença dos presidentes, enquanto a formalização dos restantes só será anunciada durante a cerimónia.
Cooperação estratégica
O presidente da Rússia afirmou na terça-feira (19) que a parceria entre Moscou e Pequim não é direcionada contra terceiros países e tem como objetivo a estabilidade internacional. Putin declarou que os dois países atuam conjuntamente "pela paz e pela prosperidade universal".
Segundo o presidente russo, as relações entre a Rússia e a China atingiram "um nível sem precedentes", marcado por confiança mútua, cooperação em condições igualitárias e apoio em temas considerados interesses fundamentais dos dois países.
Putin afirmou ainda que a parceria russo-chinesa possui papel estabilizador no cenário global e reforçou que os países não buscam confrontação.
"Não nos colocamos em conflito com ninguém, mas sim trabalhamos pela paz", declarou.
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