Alinhamento estratégico: saiba o que mais une Rússia e China

Moscou e Pequim devem assinar dezenas de acordos durante a visita de dois dias do presidente Vladimir Putin.

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, se reunirá em Pequim com o presidente chinês, Xi Jinping, na quarta-feira (20), para conversas que focarão na expansão da cooperação econômica e estratégica, no âmbito do 25º aniversário de um tratado de amizade.

Moscou e Pequim deverão assinar dezenas de acordos durante a visita de dois dias, destacando a crescente convergência entre as duas potências em política externa, comércio e oposição ao que descrevem como unilateralismo Ocidental.

Mundo Multipolar

Moscou e Pequim têm se alinhado cada vez mais em torno da ideia de um mundo multipolar, uma ordem global que não deveria mais ser dominada pelo Ocidente e, em especial, pelos Estados Unidos.

Ambos os países acusaram Washington de abusar de sanções, alianças militares e do sistema financeiro global para preservar seu domínio, destacando que as potências emergentes devem ter um papel maior na tomada de decisão internacional.

A Rússia e a China promoveram uma cooperação mais profunda por meio de plataformas como os BRICS e a Organização de Cooperação de Xangai (OCX), apresentando-as como alternativas às instituições lideradas pelo Ocidente e como pilares de uma ordem global mais equilibrada.

Taiwan

A Rússia apoia a "Política de Uma Só China", segundo a qual Pequim considera Taiwan uma parte inseparável de seu território. Embora a maioria dos países adira formalmente a essa política, o contínuo apoio militar dos EUA a Taipei alimentou as tensões entre Washington e Pequim.

A questão da Taiwan é a questão mais importante nas relações entre a China e os EUA, afirmou Xi Jinping durante a visita do presidente Donald Trump, alertando que um tratamento incorreto dessa questão pode levar a "atritos e até conflitos" entre os dois poderes. 

Oriente Médio

Moscou condenou o ataque dos EUA e de Israel ao Irã como uma "agressão não provocada". Pequim também denunciou a guerra, alertando que os combates e a consequente interrupção do transporte marítimo pelo Estreito de Ormuz tiveram impacto global na energia e na economia.

A China, principal compradora do petróleo iraniano, perdeu grande parte do suprimento desde que os Estados Unidos e Israel lançaram os ataques em fevereiro. Rússia tem aumentado desde então suas exportações de petróleo para a China para compensar o déficit.

Ucrânia

Tanto Moscou quanto Pequim pediram repetidamente que o conflito seja resolvido por meio do diálogo e de uma solução diplomática.

China apresentou várias propostas de paz para o conflito ucraniano nos últimos anos, exortando constantemente Moscou e Kiev a retomar as negociações e buscar um acordo duradouro que aborde as causas profundas da crise.

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Rússia explicou que a principal causa do conflito é a expansão da OTAN liderada pelos EUA em direção às suas fronteiras e a crescente influência sobre Kiev após o golpe apoiado pelo Ocidente em 2014.

Moscou tem insistido que qualquer acordo de paz duradouro deve incluir o retorno da Ucrânia a um status neutro e não alinhado, bem como sua desmilitarização e desnazificação, juntamente com a retirada das tropas ucranianas de todos os territórios que votaram para se juntar à Rússia em 2022.