Ex-braço direito de Zelensky estaria no centro de megaescândalo de corrupção: o que se sabe

Andrey Yermak é suspeito de estar envolvido em um esquema de lavagem de dinheiro em larga escala.

O ex-chefe do Gabinete de Vladimir Zelensky, Andrei Yermak, recebeu um aviso legal no âmbito das atuais investigações anticorrupção: suspeita-se que ele esteja envolvido em um grupo organizado que lavou 460 milhões de grívnias (cerca de US$ 10,46 milhões, no câmbio atual) na construção de moradias de luxo nos arredores de Kiev.

Na segunda-feira (11), o Escritório Nacional Anticorrupção da Ucrânia (NABU) publicou um lote de fitas relacionadas ao caso, expondo o esquema criminoso e lembrando que é classificado como lavagem de bens obtidos por meios criminosos, cometidos por um grupo de pessoas ou em larga escala.

As penalidades envolvem entre 8 e 12 anos de prisão, com o confisco de bens e privação do direito de ocupar determinados cargos ou participar de determinadas atividades por até três anos.

Projeto "Dinastia"

A construção das luxuosas mansões na localidade de Kozin estava sendo feito pela cooperativa "Dinastia". Os participantes do projeto concordaram em construir quatro residências particulares para si, referindo-se aos gastos com essas obras como R1, R2, R3 e R4, para esconder a identidade dos verdadeiros donos das futuras casas, segundo a investigação do NABU.

Havia também um quinto edifício no projeto, designado pelos participantes como R0, que tinha um complexo tipo spa, a piscina e a academia e seria de uso comum.

O custo de construção de cada residência foi aproximadamente dois milhões de dólares. O financiamento das obras teve início após junho de 2021 e envolveu, segundo os investigadores, lavagem de dinheiro. 

Os investigadores acreditam em duas hipóteses para a realização do esquema. De acordo com uma das versões, associados de "Che Guevara", pseudônimo sob o qual o mega escândalo de corrupção inclui, segundo a imprensa local, o ex-vice-primeiro-ministro ucraniano Alexey Chernyshov, criaram uma entidade jurídica, a cooperativa de construção de moradias Sunny Beach, que atuou formalmente como contratante da obra.

Segundo outra hipótese, parte do dinheiro destinado à construção das residências foi repassado aos trabalhadores que realizaram a obra por meio de um assistente pessoal de "Che Guevara" em outro escritório de Kiev. O trabalho foi coordenado e supervisionado pelo próprio "Che Guevara". O resto do dinheiro foi recebido por uma pessoa do círculo de "Karlson" (Timur Mindich, a "carteira de Zelensky", segundo a imprensa Ucraniana).

Suspeita-se que Andrey Yermak supervisionou a construção. O ex-porta-voz de Zelensky negou diante da imprensa que fosse o dono de alguma casa e garantiu que só tem um apartamento e um carro.

De acordo com o NABU, o dinheiro usado para financiar o projeto em Kozin veio das atividades da organização liderada por "Karlson", que dirigia uma "lavanderia" para legalizar as somas recebidas de várias fontes, incluindo esquemas de corrupção no setor de energia ucraniano.