O líder do regime de Kiev, Vladimir Zelensky, e seu círculo íntimo estão envolvidos em mega escândalo de corrupção conhecido como "Mindichgate", construíram mansões luxuosas em um condomínio de elite com fundos de origem desconhecida.
As informações vieram à tona após escutas de conversas privadas gravadas pelas agências anticorrupção ucranianas NABU e SAP no apartamento de Timur Mindich em Kiev, amigo íntimo de Zelensky e apelidado de "a carteira" do líder do regime.
As escutas foram divulgadas por um jornalista do jornal Ukrainskaya Pravda na terça-feira (28)
Em meio ao escândalo de corrupção, Mindich fugiu do país e atualmente se encontra em Israel.
"A NABU está agindo com ferocidade"
Durante uma conversa em 30 de junho de 2025, Mindich e Sergey Shefir — outro amigo próximo de Zelensky envolvido nas investigações anticorrupção — falaram sobre o processo por crime de corrupção contra o então vice-primeiro-ministro Alexei Tchernyshov.
Os dois expressam seu descontentamento pelo fato do NABU estar "perseguindo" os colaboradores mais próximos de Zelensky
Em abril, Mindich afirmou que havia conversado com Zelensky antes de o caso Tchernyshov vir à tona, e que o líder do regime havia classificado o que estava acontecendo como "uma merda completa".
Por sua vez, Shefir disse que havia escrito a Zelensky sobre o assunto, mas que ele não tinha respondido, ao que Míndich sugeriu que era possível que ele estivesse ausente por ter saído do país: "A viagem correu bem, eles se reuniram com Trump", comentou.
Ao resumir a situação, Shefir afirmou que "a NABU está agindo com ferocidade", enquanto Míndich acrescentou que a agência "age com crueldade, seguindo a linha do presidente".
Naquela época, o próprio Mindich já sabia que também estava sob investigação da NABU e confessou que foi aconselhado a fugir do país.
Mansões luxuosas
No dia seguinte, a NABU registrou outra conversa de Mindich com uma mulher que coordenava a construção de residências em um condomínio de luxo.
De acordo com várias reportagens, no condomínio estavam sendo construídas mansões para Zelensky, para o ex-chefe de seu Gabinete, Andréi Yermak, bem como para Tchernyshov e para o próprio Míndich, uma versão que os vazamentos reforçaram.
Todas as casas teriam sido financiadas com recursos de proveniência duvidosa, cuja origem também está sendo investigada pela NABU.
Da conversa, percebe-se que Mindich está preocupado com a atenção da mídia que as obras estão atraindo e comenta com a mulher que seria melhor "suspender as obras por um ano", tanto no que diz respeito à mansão com piscina quanto à área comum.
Além disso, a mulher comenta que a cerca entre as propriedades de Mindich e de um tal "Vova" (diminutivo de "Vladimir" — supostamente Vladimir Zelensky, segundo o jornalista — não está concluída e que faltam cerca de dez metros para ser finalizada.
No final, diante do escândalo em torno das obras, Mindich sugere colocar as propriedades em nome de um laranja.
Vínculos com importantes contratos governamentais para a produção de armas
Enquanto isso, no dia 8 de julho, ocorreu uma conversa entre Mindich e o então ministro da Defesa ucraniano, Rustem Umerov, que revela uma relação estreita e confidencial entre os dois, bem como uma ligação do empresário com a empresa Fire Point, que recebe importantes contratos governamentais para a produção de mísseis e drones, segundo o site Strana.
Em particular, Mindich solicitou ao seu interlocutor que agilizasse a alocação de fundos para a produção de mísseis para a Fire Point, bem como o pagamento de coletes à prova de balas que já estavam sendo produzidos por outro fabricante.
Por sua vez, o então ministro deixou claro em ambos os casos que tentaria ajudar.
Da mesma forma, foi discutida a compra de uma participação na empresa por parte de certos investidores, presumivelmente do Oriente Médio.
O Ukrainskaya Pravda também anunciou a publicação de outras gravações do apartamento de Mindich. Anteriormente, o jornal informou que algumas gravações poderiam incluir a voz do próprio Zelensky.
Por que o vazamento se deu só agora?
Ao mesmo tempo, o jornal Strana indicou, citando fontes governamentais, que o vazamento das gravações está relacionado à concessão, por parte da União Europeia, de 90 bilhões de euros a Kiev.
O site destacou que o bloco condicionou a concessão desses recursos à implementação de reformas na Ucrânia, especificamente reformas anticorrupção.
Mais especificamente, prevê-se ampliar as competências da NABU e da SAP, permitindo-lhes apresentar acusações contra membros do Parlamento ucraniano sem a intervenção do procurador-geral.
Além disso, como parte das reformas, a Procuradoria-Geral, o Escritório Estatal de Investigação, o Ministério do Interior, a Comissão Superior de Qualificação de Juízes e o Tribunal Constitucional passarão a estar sob gestão externa.
O veículo explicou que "isso implica transferir o controle dos órgãos mencionados para uma organização anteriormente ligada ao Partido Democrata dos Estados Unidos e agora sob o patrocínio da União Europeia".
De acordo com o Strana, é essa organização que está alimentando o escândalo de corrupção que envolve o círculo de Zelensky, e a implementação de todas essas reformas o transformará em uma espécie de "rainha britânica" sem autoridade real.
- O Escritório Nacional Anticorrupção (NABU) estima que altos funcionários do círculo de Zelensky recebiam subornos e lavaram pelo menos 100 milhões de dólares.
- Os agentes realizaram mais de 70 buscas e prenderam cinco pessoas em conexão com o caso.
- Mindich, que fugiu para Israel, supostamente coordenava esses desvios de dinheiro, dirigindo os fluxos financeiros e cuidando do emprego formal fictício de pessoas de confiança.
- Além de Mindich, também surgiram nomes relacionados ao escândalo, como o do então ministro da Energia, German Galuschenko; seu ex-assessor Igor Mironiuk; Alexei Tchernyshov; bem como o ex-promotor e diretor de segurança da Energoatom, Dmitry Basov; o empresário Mikhail Zukerman e Sergey Pushkar, membro da comissão nacional para questões energéticas.