Aliados europeus dos Estados Unidos esperam que o presidente Donald Trump retire mais tropas do continente após anunciar a saída de 5 mil soldados da Alemanha, informou o jornal americano Bloomberg no sábado (9), citando pessoas familiarizadas com o assunto.
Embora a Aliança Atlântica ainda não tenha sido informada sobre qual unidade será retirada, autoridades acreditam que Washington avalia opções para implementar a saída rapidamente.
Diplomatas de alto escalão de países da OTAN preveem novos cortes, que poderiam incluir a Itália. Trump também poderia descartar um plano herdado do governo Joe Biden para estacionar mísseis de longo alcance na Alemanha.
Entre outros cenários considerados, estão o fim da participação dos Estados Unidos em alguns exercícios militares e a transferência de forças de países com os quais a Casa Branca está "insatisfeita" para outros considerados mais próximos do presidente, como a Polônia.
Nesse contexto, a Bloomberg recorda comentários do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, sobre os problemas enfrentados por Washington ao manter tropas no Velho Continente.
"Se uma das principais razões pelas quais os Estados Unidos estão na OTAN é a capacidade de ter forças posicionadas na Europa que possamos projetar para outras contingências, e agora esse já não é o caso, pelo menos quando se trata de alguns membros da OTAN, isso é um problema e precisa ser examinado", afirmou Rubio.
"Sofreríamos tanto quanto ou mais que a Europa"
Segundo as fontes, esses passos seriam mais um sinal do descontentamento de Trump com alguns aliados, como Alemanha e Espanha, pelo que ele considera uma ajuda insuficiente à guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã.
Nesse contexto, os informantes afirmaram que Madri, que provocou irritação especial em Trump por sua postura em relação à guerra no Oriente Médio, foi o único membro a obter uma isenção da meta de gastos em defesa de 5% da OTAN.
Isso alimentou especulações sobre uma possível redução da presença americana em bases espanholas, como Rota ou Morón.
Ainda assim, a preocupação de que os EUA reduzam o número de tropas na Europa é atenuada pelo fato de Trump ter sugerido durante anos que poderia se retirar da OTAN, sem concretizar a ameaça. Isso refletiria o reconhecimento de que uma ruptura permanente ou uma retirada em grande escala prejudicaria os interesses dos próprios Estados Unidos.
"Nós sofreríamos tanto quanto ou mais que os países europeus que identificaríamos como alvos de punição se tentássemos reduzir significativamente nossas forças ou nossa presença", avaliou Gordon Davis, general aposentado do Exército dos EUA e ex-alto funcionário da OTAN.
Capilaridade no continente
Os Estados Unidos têm cerca de 85 mil militares estacionados na Europa, número que varia conforme unidades retornam ao país ou são enviadas para reforçar exercícios, segundo a Bloomberg. As bases em diferentes pontos do continente servem como plataforma para deslocamentos rápidos ao Oriente Médio, à África e à Ásia Central.
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Apesar da irritação de Trump, autoridades da OTAN e diplomatas de alto escalão afirmaram acreditar que as barreiras impostas pelo Congresso e a dependência estratégica dos Estados Unidos em relação à Europa limitarão a capacidade do presidente de promover mudanças profundas.
Em paralelo, Julianne Smith, ex-representante permanente dos Estados Unidos junto à Aliança Atlântica, explicou que, embora muitos países europeus estejam reconstruindo suas defesas, ainda precisarão de mais 5 a 10 anos, ou mais, para garantir sua própria segurança.
"Simplesmente não é possível substituir o que os Estados Unidos oferecem em termos de dissuasão", afirmou, citando mobilidade estratégica, inteligência e vigilância, além do reabastecimento aéreo.