Navio de cruzeiro atingido pelo hantavírus chega às ilhas Canárias

O presidente do governo regional das Ilhas Canárias, Fernando Clavijo, expressou sua forte oposição à entrada do MV Hondius em Tenerife.

O MV Hondius, navio de cruzeiro afetado por um surto de hantavírus desde o início de abril, chegou neste domingo (10) ao porto de Granadilla, na ilha espanhola de Tenerife, de onde será realizada uma evacuação para repatriar os passageiros e a tripulação.

Passageiros e tripulantes passarão por uma avaliação inicial para descartar infecções e só deixarão o navio quando os aviões estiverem posicionados na pista do Aeroporto de Tenerife Sul.

O Diretor-Geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, e os ministros espanhóis da Saúde, do Interior, e da Política Territorial e Memória Democrática viajaram até a ilha e anunciaram que uma operação completa está pronta.

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Em mensagem aos moradores de Tenerife, Tedros destacou a solidariedade da ilha e pediu confiança nas "medidas que foram tomadas". Ao mesmo tempo, reiterou que "o risco atual para a saúde pública decorrente do hantavírus permanece baixo", assegurando-lhes que "esta não é outra COVID".

"Sei que vocês estão preocupados. Sei que, ao ouvirem a palavra 'surto' e verem um navio se aproximando da costa, isso traz à tona lembranças que nenhum de nós conseguiu esquecer completamente. A dor de 2020 ainda é real, e não a minimizo nem por um instante", declarou.

Por sua vez, o presidente do governo regional das Ilhas Canárias, Fernando Clavijo, expressou sua forte oposição à entrada do MV Hondius, a menos que haja garantias de que todos os passageiros a bordo deixarão Tenerife.

Especificamente, afirmou que o governo regional não "aprovará nem autorizará" a ancoragem do navio de cruzeiro e acusou o governo central de impor decisões sem construir confiança ou fornecer a documentação e os protocolos solicitados.

Entretanto, a Direção-Geral da Marinha Mercante ordenou que o navio fosse recebido no porto de Granadilla — através de ancoragem ou atracação controlada — considerando que o controle sanitário é mais eficaz em um local preparado do que manter o navio indefinidamente no mar, o que abre um conflito direto entre o governo central de Pedro Sanchéz e as autoridades das Ilhas Canárias.