
'Não estou cedendo': Merz se orgulha de suas divergências com Trump

O chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, rejeitou a ideia de que sua postura diante do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, seja de "apaziguamento". Em entrevista à emissora ZDF, nesta quarta-feira (6), ele afirmou que mantém esforços por uma boa relação com Washington, mas sem abrir mão de suas posições.
Merz foi questionado sobre críticas de Trump à Alemanha e sobre medidas recentes dos EUA, como o anúncio de retirada de 5 mil soldados americanos do país e a possível suspensão da venda de mísseis de médio alcance.
"Não estou apaziguando. Continuo me esforçando, sem mudanças, por uma boa relação transatlântica, mesmo que tenhamos opiniões diferentes no mérito", afirmou.

O chanceler lembrou que já discordou publicamente de Trump em sua primeira visita ao presidente americano, em junho do ano passado. Na ocasião, segundo Merz, ele apresentou uma avaliação diferente sobre as causas da guerra na Ucrânia diante das câmeras. "Vou manter essa linha no futuro", disse.
Contatos regulares
Merz afirmou que mantém contato frequente com Trump para tratar dos temas bilaterais. "Estive lá há algumas semanas. Falamos regularmente por telefone. Mas uma boa parceria também precisa suportar desacordos", declarou.
Questionado se a relação transatlântica estaria deteriorada, o chanceler negou. "Não vejo assim. Temos um desacordo, mas posso conviver com isso", afirmou.
Antes da entrevista, o Politico informou que Merz tentava conter a irritação de Trump em meio ao aumento das tensões com Washington, recorrendo à estratégia de dizer ao presidente americano o que ele gostaria de ouvir.
As declarações ocorrem em um momento de atrito entre Berlim e Washington. A tensão aumentou após Merz criticar a guerra dos EUA contra o Irã e dizer que o país americano estava sendo "humilhado" por Teerã.
País destruído
Em resposta, Trump recomendou que o chanceler alemão "dedique mais tempo a consertar seu país destruído, especialmente em relação à imigração e à energia, e menos tempo a interferir com aqueles que estão eliminando a ameaça nuclear iraniana".
O presidente americano também anunciou que o Pentágonoretirará mais de 5 mil soldados dos EUA da Alemanha. Segundo o jornal Bild, a medida afetaria a brigada Stryker, baseada em Vilseck, e deve ser concluída em um prazo de 6 a 12 meses.
Cerca de 40 mil militares americanos estão estacionados na Alemanha. Em Grafenwöhr, maior base do Exército dos EUA fora do país, há 16 mil soldados em diferentes grupos de treinamento. Em Vilseck, são cerca de 10 mil.

