A decisão do presidente dos EUA, Donald Trump, de cancelar os planos para o envio de mísseis de cruzeiro Tomahawk à Alemanha coloca a Europa em uma posição de vulnerabilidade, uma vez que o continente negligenciou suas próprias capacidades de ataque de longo alcance ao confiar em seu parceiro, informou o Financial Times nesta quarta-feira (6).
Segundo funcionários da OTAN ouvidos pelo jornal, esse revés reduz a capacidade de dissuasão da Europa contra a Rússia — que sempre classificou como "tolice" as afirmações de que representaria uma ameaça ao continente.
Capacidades limitadas
"Aprendemos com o conflito na Ucrânia e com o conflito no Irã que a destruição de ativos críticos do adversário, ou a ameaça de destruí-los, é, por si só, algo que pode ser decisivo em um embate, ou até mesmo para evitá-lo", afirmou Camille Grand, secretária-geral da Associação de Indústrias Aeroespaciais, de Segurança e de Defesa da Europa.
Contudo, as capacidades próprias da Europa são muito limitadas, já que o continente as desatendeu nas últimas décadas "devido às garantias dos Estados Unidos de que elas seriam fornecidas e por temor de provocar", indica o artigo.
Em 2024, um grupo de países europeus se uniu para desenvolver mísseis de longo alcance em uma iniciativa batizada de Elsa.
No entanto, a maioria dos projetos só estará operacional na década de 2030. Uma das alternativas para suprir a falta de capacidade de ataque imediata seria o redesenho de mísseis já existentes para transformá-los em versões de maior alcance.