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Dependência de armamentos dos EUA gera problema grave na defesa da Europa, alerta comissário

O esgotamento dos estoques americanos exigiria que a Europa acelere sua própria fabricação de armamentos para garantir a segurança regional, avalia Andrius Kubilius.
Dependência de armamentos dos EUA gera problema grave na defesa da Europa, alerta comissárioGettyimages.ru / Aimee Dilger / SOPA Images / LightRocket

A Europa enfrenta um desafio estrutural de segurança devido à sua excessiva dependência de equipamentos militares dos EUA, alertou o comissário europeu de Defesa e Espaço, Andrius Kubilius, em entrevista ao jornal grego Kathimerini, publicada nesta segunda-feira (4).

Kubilius, que também ocupou duas vezes o cargo de primeiro-ministro da Lituânia, destacou que o esgotamento das reservas de armamentos americanos, agravado pelo conflito no Oriente Médio, impõe ao bloco a urgência de acelerar sua própria capacidade produtiva.

Historicamente, segundo ele, o continente adquiria cerca de 40% de suas armas nos Estados Unidos, o que facilitava o acesso a sistemas tecnológicos avançados, como os antibalísticos utilizados na Ucrânia.

O cenário mudou, contudo. Kubilius aponta que os níveis críticos dos estoques americanos impõem que a produção industrial dos EUA se torne uma prioridade para a reposição de suas próprias reservas nos próximos anos. Seus aliados europeus, portanto, ficam em uma posição vulnerável, de acordo com o comissário.

O problema central não seria apenas tecnológico, mas de escala de produção, aponta Kubilius. Embora as empresas europeias sejam qualificadas no desenvolvimento de novas tecnologias, enfrentam dificuldades para acompanhar o ritmo de demanda.

"Nosso maior problema é que o fluxo de dinheiro aumenta mais rápido do que a nossa indústria de defesa consegue aumentar a produção", avaliou.

Ele informa, ainda, que o continente europeu está atrás da Rússia em volume de fabricação.

Kubilius defendeu a necessidade de operacionalizar mecanismos de assistência mútua dentro da União Europeia. Ele citou o Artigo 42.7 do Tratado da UE — cláusula de auxílio mútuo semelhante ao Artigo 5 da OTAN — como um instrumento poderoso que ainda carece de procedimentos claros de ativação e coordenação.

A proposta é que o bloco esteja preparado para agir de forma antecipada caso a resposta da aliança transatlântica não possa ser garantida.