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Chanceler alemão descarta mudança na segurança europeia após anúncio de retirada de tropas dos EUA

Friedrich Merz minimizou o impacto da movimentação militar, garantindo que o compromisso de dissuasão nuclear dentro da OTAN permanece inalterado.
Chanceler alemão descarta mudança na segurança europeia após anúncio de retirada de tropas dos EUAGettyimages.ru / Evan Vucci - Pool

O chanceler alemão, Friedrich Merz, afirmou nesta segunda-feira (4) que a retirada de pelo menos de cinco mil militares americanos da Alemanha não representa uma mudança estrutural na segurança europeia.

Merz, em entrevista à imprensa alemã, rebateu a ideia de que a decisão do presidente dos EUA, Donald Trump, estaria vinculada às suas recentes críticas à estratégia de Washington no conflito com o Irã, negando qualquer relação direta entre os temas.

O chanceler alemão minimizou o impacto do anúncio, classificando-o como algo que já era discutido há algum tempo. Segundo Merz, o contingente em questão foi posicionado de forma temporária durante a gestão do ex-presidente Joe Biden. "Não é algo novo", argumentou.

Merz também abordou a questão nuclear, assegurando que o compromisso de dissuasão dos Estados Unidos dentro da OTAN permanece intacto. O chanceler enfatizou que não há dúvidas ou restrições quanto à proteção nuclear oferecida por Washington aos países da aliança, reforçando a estabilidade do pacto de defesa coletiva.

"5 mil é um número de manchete que Trump tirou do ar"

Em várias capitais aliadas, o anúncio é interpretado como um gesto político ligado ao enfrentamento entre Trump e o chanceler alemão, que dias antes havia indicado que o Irã está "humilhando" os EUA nas negociações com Teerã.

"O número de 5 mil é um número de manchete que Trump tirou do ar porque queria fazer algo demonstrativo como parte de sua confrontação com Merz", assinalou outra das fontes.

A Casa Branca também expressou em reiteradas ocasiões seu descontentamento com sócios europeus por não se juntarem à guerra no Oriente Médio, e o próprio Trump classificou a Aliança de "tigre de papel".

A porta-voz do secretário-geral da OTAN, Allison Hart, indicou que a organização "trabalha com os EUA para entender os detalhes" e sustentou que o ajuste "destaca a necessidade de a Europa investir mais em defesa e assumir uma maior parte da responsabilidade" na segurança compartilhada. Atualmente, há mais de 36 mil militares americanos destacados na Alemanha, base-chave para operações dos EUA na Europa, Oriente Médio e África.