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Anúncio de Trump sobre retirada de tropas da Alemanha teria pego OTAN de surpresa

Segundo fontes citadas pela Euronews, altos cargos da Aliança acreditam que o repliegue responde à disputa do mandatário com o chanceler alemão, e não a um planejamento militar.
Anúncio de Trump sobre retirada de tropas da Alemanha teria pego OTAN de surpresaGettyimages.ru / U.S. Army Reserve / Sgt. Kirsti Anne Beckett

A decisão do presidente Donald Trump de retirar aproximadamente 5 mil soldados da Alemanha nos próximos 6 a 12 meses pegou de surpresa os altos cargos da OTAN e carece de motivos operacionais, informa a Euronews citando fontes anônimas. A medida, anunciada primeiro por Trump nas redes e confirmada depois pelo Pentágono, não foi consultada previamente com os parceiros europeus.

Segundo essas fontes, Washington não precisou quais unidades serão afetadas nem se trata de rotações que não serão substituídas, esquadrões aéreos ou componentes de brigadas permanentes. "Não sabemos que forças são, se é o núcleo de uma brigada, um esquadrão aéreo", disse o ex-embaixador dos EUA junto à OTAN, Ivo Daalder. Outra fonte americana afirmou que "não há detalhes porque Trump simplesmente inventou esse número".

"5 mil é um número de manchete que Trump tirou do ar"

Em várias capitais aliadas, o anúncio é interpretado como um gesto político ligado ao enfrentamento entre Trump e o chanceler alemão, Friedrich Merz, que dias antes havia indicado que o Irã está "humilhando" os EUA nas negociações com Teerã. "O número de 5 mil é um número de manchete que Trump tirou do ar porque queria fazer algo demonstrativo como parte de sua confrontação com Merz", assinalou outra das fontes.

A Casa Branca também expressou em reiteradas ocasiões seu descontentamento com sócios europeus por não se juntarem à guerra no Oriente Médio, e o próprio Trump classificou a Aliança de "tigre de papel".

A porta-voz do secretário-geral da OTAN, Allison Hart, indicou que a organização "trabalha com os EUA para entender os detalhes" e sustentou que o ajuste "destaca a necessidade de a Europa investir mais em defesa e assumir uma maior parte da responsabilidade" na segurança compartilhada. Atualmente, há mais de 36 mil militares americanos destacados na Alemanha, base-chave para operações dos EUA na Europa, Oriente Médio e África.