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IBGE lança mapa com Brasil no centro e destaque para o Sul Global

"O novo mapa-múndi desafia séculos de visão eurocêntrica e reposiciona o Sul Global no centro do debate sobre biodiversidade, poder e futuro do planeta", afirma presidente do instituto.
IBGE lança mapa com Brasil no centro e destaque para o Sul GlobalIBGE/Divulgação

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) lançou, nesta segunda-feira (4), as publicações "Brasil em Números — 2025" e "IBGE pelo Mundo". Também foi divulgado um novo mapa-múndi que posiciona o Brasil e o Sul Global no centro da leitura geopolítica e ambiental do planeta. 

"O novo mapa-múndi desafia séculos de visão eurocêntrica e reposiciona o Sul Global no centro do debate sobre biodiversidade, poder e futuro do planeta", destacou o presidente do instituto, Márcio Pochmann.

O evento de divulgação — que também marcou uma comemoração de 90 anos do IBGE — contou com a presença de autoridades como o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, além de autoridades de mais de 20 países e representantes de organismos internacionais.

Vieira destacou o papel histórico do instituto. "Instituição cuja história se confunde com a própria construção do Brasil moderno e com o esforço contínuo de compreender a nossa realidade em toda a sua complexidade", disse. A cerimônia reforçou a dimensão internacional do IBGE, com destaque para a cooperação Sul-Sul

Riqueza brasileira no centro do mapa

Um dos principais destaques do evento foi o lançamento do mapa "Riqueza de Espécies 2025", que apresenta a biodiversidade global a partir de um indicador que mede o potencial de ocorrência de espécies em espaços de 100 km².

O presidente do IBGE atribuiu ao novo mapa um significado que vai além da cartografia. "O IBGE transforma a cartografia em afirmação política e civilizatória, pois coloca o Brasil no centro, inverte o eixo Norte–Sul e revela os continentes em proporções reais", declarou.

Sul Global em destaque

O novo mapa adota a projeção Equal Earth, desenvolvida em 2018 por Bojan Šavrič, Tom Patterson e Bernhard Jenny, que busca representar os continentes em proporções reais, sem as distorções típicas de projeções tradicionais como a de Gerardus Mercator.

Enquanto a projeção de Mercator amplia regiões próximas aos polos, a Equal Earth preserva a equivalência das áreas. Além da correção geométrica, o mapa apresentado pelo IBGE adota a inversão do eixo Norte–Sul, um recurso simbólico que questiona a naturalização de hierarquias geopolíticas.