
Ex-chefe militar faz alerta sombrio sobre futuro do exército britânico

O Reino Unido enfrenta uma escassez de recursos que compromete o planejamento da defesa para os próximos anos, alertou o general Richard Barrons, ex-comandante do Comando Conjunto de Forças do país em entrevista ao jornal The Times publicada no domingo (3).
O general afirmou que a falta de financiamento impede a compra de novos equipamentos essenciais e coloca em xeque as metas de prontidão militar estabelecidas pelo governo.

Em junho de 2025, o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, apresentou o Relatório de Revisão Estratégica de Defesa, estabelecendo a capacidade de combate como objetivo central das Forças Armadas.
O plano prometia construir uma força mais integrada, treinada e letal, com uma reserva estratégica pronta para mobilização imediata.
No entanto, Barrons, que foi um dos coautores do relatório, advertiu que a realidade orçamentária atual permite apenas "pensar" em uma preparação para a guerra, já que não há verba disponível para aquisições até 2030.
Segundo o ex-comandante, o Ministério da Defesa tem apresentado um retrocesso desde a publicação da revisão estratégica.
A falta de investimento constante estaria "esgotando" a base industrial do país, o que acaba impulsionando as empresas de defesa britânicas a buscarem mercados no exterior para sobreviver.
Áreas afetadas
O déficit financeiro afeta de formas distintas os diferentes níveis. Enquanto o exército possui recursos limitados para manter plataformas convencionais tripuladas, como tanques, helicópteros e artilharia, há uma ausência quase total de verba para tecnologias de nova geração.
A crise também compromete diretamente a visão de futuro do setor militar, baseada no conceito estratégico "20-40-40".
O modelo prevê que, no futuro, apenas 20% da capacidade de combate venha de plataformas tradicionais, enquanto os outros 80% deveriam ser compostos por equipamentos descartáveis e armas de uso único.
