Dois meses após o início do conflito contra o Irã, a economia global enfrenta uma combinação tóxica: crescimento em desaceleração e inflação persistentemente alta – o cenário clássico de estagflação, informou nesta quinta-feira (30) a Reuters, citando analistas.
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O petróleo segue como o principal barômetro da crise. O Brent é negociado a cerca de US$ 126 por barril, mais de 50% acima do nível pré-guerra, e continua subindo enquanto o Estreito de Ormuz continua fechado.
Impacto em várias regiões
Os efeitos são sentidos de forma desigual pelo mundo. A Europa, altamente dependente de importações de energia, é a região mais vulnerável, segundo o veículo. Dados já apontam para um choque de estagflação, com a atividade empresarial se contraindo, os critérios de empréstimos bancários ficando mais rígidos e as expectativas de inflação disparando.
O instituto alemão IMK vê 34% de chance de a maior economia da Europa, a Alemanha, entrar em recessão no segundo trimestre, ante 12% em março.
Na Ásia, que normalmente consome cerca de 80% das exportações de petróleo do Golfo e 90% do gás natural liquefeito (GNL), o impacto também é direto.
Partes do sul e sudeste asiático já enfrentam escassez de energia. A China é a exceção. Com amplas reservas de petróleo e uma matriz energética diversificada, o país cresceu 5% no primeiro trimestre e seus títulos se valorizaram. Mas os custos de energia mais altos podem comprimir margens já apertadas das fábricas.
Os Estados Unidos também sofrem com persistentes altas nos preços, com as expectativas de inflação do consumidor para o ano à frente saltando de 3,8% para 4,7% em abril. No entanto, o impacto sobre o crescimento americano é menor que o europeu, segundo analistas.
Já para a América Latina, o Fundo Monetário Internacional (FMI) projeta "um leve aumento da inflação geral, que voltaria a cair em 2027". O relatório também alerta para "uma desaceleração do crescimento e no aumento da inflação", com maior intensidade em economias emergentes.