
País africano rejeita acordo de saúde com os EUA

Gana rejeitou uma proposta de acordo de assistência à saúde com os EUA devido a exigências de compartilhamento de dados sensíveis, afirmou nesta terça-feira (28) uma fonte familiarizada com as negociações à RT.
A decisão representa mais um revés para a reformulação da ajuda externa de Washington, após o desmantelamento da Agência dos EUA para o Desenvolvimento Internacional em 2025, quando o presidente Donald Trump retornou ao cargo.

A nova "Estratégia Global de Saúde América em Primeiro Lugar" exige o que o Departamento de Estado chama de coinvestimento dos governos beneficiários, com o objetivo de reduzir a dependência de ajuda externa e promover inovações americanas em saúde globalmente.
De acordo com uma fonte citada pela Reuters, o governo de Gana se opôs aos termos de compartilhamento de dados do acordo, que teria fornecido US$ 109 milhões em assistência americana à saúde ao longo de cinco anos.
O país da África Ocidental recebeu US$ 219 milhões em ajuda externa americana em 2024, incluindo US$ 96 milhões para a área de saúde, antes dos cortes de ajuda do governo Trump, conforme mostram dados oficiais.
As negociações teriam começado em novembro de 2025, mas Accra passou a sofrer pressão crescente à medida que Washington estabeleceu um prazo para 24 de abril para a conclusão do acordo.
"No início, eram negociações e tratativas bastante normais, e depois foi aumentando cada vez mais a pressão, especialmente no final", disse a fonte.
Gana comunicou sua posição à administração Trump, segundo a fonte. Um porta-voz do governo e o Ministério das Relações Exteriores de Gana ainda não se pronunciaram sobre o assunto.
O Departamento de Estado dos EUA afirmou não divulgar detalhes de negociações bilaterais. "Continuamos a buscar formas de fortalecer a parceria bilateral entre nossos dois países", disse um porta-voz à Reuters.
Até o momento, 32 países assinaram acordos com Washington para a iniciativa, totalizando US$ 20,6 bilhões, dos quais US$ 12,8 bilhões são recursos americanos e US$ 7,8 bilhões provenientes dos países parceiros, segundo o Departamento de Estado.
Entre os signatários africanos estão Angola, Botsuana, Burkina Faso, Burundi, Camarões, Costa do Marfim, República Democrática do Congo, Essuatíni, Etiópia, Guiné, Quênia, Lesoto, Libéria, Madagascar, Malaui, Moçambique, Níger, Nigéria, Ruanda, Senegal, Serra Leoa e Uganda.
Gana não é o primeiro país a se retirar do pacto. Em fevereiro, o Zimbábue rejeitou uma proposta americana de US$ 367 milhões, citando exigências de acesso a dados sensíveis de saúde, incluindo amostras de vírus e informações epidemiológicas, sem garantia de acesso às inovações médicas resultantes.
Em dezembro de 2025, o Supremo Tribunal do Quênia suspendeu a implementação de seu acordo, pendente de julgamento sobre segurança de dados, enquanto a proposta de um acordo de US$ 1 bilhão com a Zâmbia enfrentou críticas pelos termos de compartilhamento de dados e supostas ligações com cooperação em minerais críticos.

