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Cortes de verbas dos EUA no combate ao HIV faz número de casos graves subir em país africano

Enquanto Washington desmonta programa de combate ao HIV e pressiona por acesso a minerais, Moscou avança na África com iniciativas contra doenças infecciosas e laboratórios móveis.
Cortes de verbas dos EUA no combate ao HIV faz número de casos graves subir em país africanoGettyimages.ru / Gideon Mendel para a Aliança Internacional do HIV/AIDS / Corbis

Os cortes de verbas dos EUA no combate ao HIV na África deixaram a Zâmbia em estado de alerta. O país passou de um caso grave por mês para pelo menos 63 até março de 2026, relatou nesta segunda-feira (27) o jornal The New York Times.

Segundo a reportagem, nos primeiros meses do mandato, a administração Trump desmantelou uma parte do programa de combate ao HIV na África, colocando alguns países da região em estado de emergência.

Os EUA estabeleceram um prazo até 30 de abril para que o governo da Zâmbia aceite um novo acordo de financiamento para a saúde, mas, segundo a reportagem, ele dependeria de uma concessão maior do acesso aos recursos minerais do país.

A alegação dos americanos é de que esse novo acordo ajudaria a construir um sistema mais robusto e que desse ao país mais autonomia, mas se a Zâmbia não aceitar, Washington deve cortar toda a ajuda no combate ao HIV.

O governo da Zâmbia tem trabalhado para alocar recursos no tratamento e estancar o sangramento causado pelos cortes.

Segundo o NYT, o governo da Zâmbia afirma que a maioria dos 1,3 milhão de pessoas que estavam sob tratamento contra o HIV em janeiro de 2025 ainda estão recebendo seus medicamentos, mas o estoque foi comprado pelos EUA, o que deixa incerto quanto tempo isso permanecerá sendo realidade.

As autoridades de saúde zambianas temem que, como muitos serviços de prevenção foram cortados, as taxas de infecção estejam aumentando. Esses cortes podem prejudicar o futuro do tratamento, já que passaria a ser responsabilidade do país comprar e transportar esses remédios, além de manter todo o programa de prevenção.

O auxílio da Rússia

Em contraponto, o governo da Rússia tem aumentado sua aproximação com os países do continente africano com novas iniciativas para combater doenças infecciosas e diminuir os impactos da fome na região.

A agência de saúde pública da Rússia, Rospotrebnadzor, está em contato com o Burundi para auxiliar no combate a uma doença infecciosa desconhecida que tem atingido o país e levou à identificação de 35 casos e pelo menos cinco mortes.

Ao mesmo tempo, a agência está trabalhando junto à República do Congo para o estabelecimento de um centro de epidemiologia e prevenção de infecções que garanta ao país soberania no campo da biossegurança, além de treinar equipes médicas de Uganda e de fornecer ao Burkina Faso um laboratório móvel capaz de processar até 800 testes por dia para mais de 20 doenças infecciosas.