Desprestigiada por Trump, OTAN quer acabar com cúpulas anuais

"É melhor ter menos cúpulas do que cúpulas ruins", afirmou um diplomata de um país-membro da aliança à Reuters.

Cansados das tensões com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aliados da aliança militar estão pressionando por uma redução no ritmo das cúpulas, informou na segunda-feira (27) a agência Reuters, citando fontes diplomáticas.

A proposta, defendida por vários países, sugere que os encontros de chefes de Estado e governo passem a ser bienais, em vez de anuais. Um diplomata citou o exemplo da cúpula de 2027, que deve ocorrer na Albânia, possivelmente no outono, e questionou abertamente se haveria uma reunião em 2028, quando haverá eleição presidencial nos EUA e será o último ano do mandato de Trump.

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"É melhor ter menos cúpulas do que cúpulas ruins", resumiu um dos diplomatas. "Temos trabalho suficiente pela frente. Sabemos o que temos que fazer", acrescentou, enquanto outro destacou que a qualidade das discussões e das decisões da aliança é a maneira de realmente se aferir a força da aliança.

A Reuters consultou um funcionário da OTAN que afirmou que a aliança "continuará a realizar reuniões regulares de Chefes de Estado e de Governo e, entre as cúpulas, os Aliados da OTAN continuarão a se consultarem, a elaborarem planos e a tomar decisões sobre a nossa segurança partilhada."

Crise no bloco

As declarações à Reuters foram feitas em meio às repetidas críticas à OTAN por parte do presidente dos EUA, que descreveu a Aliança Atlântica como um "tigre de papel", questionando sua capacidade real. Em uma ocasião, ele chegou a insinuar que Washington poderia abandonar o bloco.

Em 9 de abril, Trump descreveu a OTAN como um aliado "decepcionante" diante da oposição de alguns países membros à agressão contra o Irã. "Nenhuma dessas pessoas, incluindo nossa muito decepcionante OTAN, não entende nada a menos que seja pressionada!", escreveu o presidente dos Estados Unidos no Truth Social, sem dar mais explicações.

Desde o início do seu segundo mandato, Trump tem aumentado a pressão sobre o bloco militar, seja pela insistência para gastos maiores com defesa ou exigências de apoio na agressão contra o Irã.